
Em ataque a hospital no sul de Gaza, o governo de Israel matou mais cinco jornalistas. Assim por nada. Como, vez por outra, esmagamos formigas que, enfileiradas, faziam seu trabalho cotidiano.
Já passam dos 200 os jornalistas assassinados, de propósito, na cobertura dos bombardeios do governo de Israel sobre Gaza.
Silêncio do mundo oficial sobre a barbárie contra a população de Gaza. O Estado de Israel tem dinheiro, armas e o apoio explícito dos USA, sob Trump. Não seria diferente sob Biden.
Israel, que já foi chamada de “o porta-aviões mais barato dos USA”, gasta bailando na guerra.
A condenação do que ocorre em Gaza fica por conta de vozes – fortes, mas isoladas – de resistentes humanistas, mundo afora. Grandes nações enterram a cabeça na areia. Triste. Muito triste. E até quando?
Qual é o limite para essa abusiva tolerância?
No Distrito Federal (DF) dois adolescentes foram presos cheios, de propaganda nazista. Planejavam ataque contra a escola em que estudavam. Antes da prisão, os pais, quando souberam, levaram os nazis garotos ao psiquiatra. Freud não explica.
O velho político, Valdemar da Costa Neto, comparou Bolsonaro a Che Guevara. Não pela posição ideológica, mas pelo “absurdo carisma”, que tem o ex-presidente, ressalvou. Ah bom!
Che sofre no túmulo.
No Rio Grande do Sul, em sala de aula, a professora Leonice Batista dos Santos foi flagrada em vídeo batendo com uma pilha de livros na cabeça de um menino, seu aluno. Fez por querer. Ela tem 49 anos, o menino quatro. Ele perdeu um dente, machucou os lábios e boca, teve dentes abalados. Além do trauma. Ela está presa.
No DF, um professor foi afastado de suas funções por jogar água em alunas adolescentes. Achou adequado pra começar sua aula sem conversas dos alunos.
Vídeo gravado na província de Los Ríos, no Equador, mostra um policial no papel jóquei, montado sobre um homem. Submetido, o preso faz as vezes de cavalo e como tal é conduzido. Isso dentro do uma unidade policial.
America great again?
As mortes por opioides nos Estados Unidos são maiores do que a violência brasileira – perto de 80 mil por ano. Parte do fenômeno batizado como “mortes por desespero”, essa estatística alcança, principalmente, a população adulta masculina. Gente que, desencantada, morre antes dos 50 por uso de opioides, abuso de drogas, depressão e suicido. Situação registrada em trabalho do professor Angus Deaton, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, deste 2025.
Escocês, naturalizado americano, professor da Universidade de Princeton, Deaton pesquisa e analisa consumo, pobreza e bem-estar nos Estados Unidos.
A probabilidade de um americano morrer antes dos 50 anos, hoje é maior nos Estados Unidos do que em Bangladehs. O sentimento de insegurança econômica e desproteção social é causa da ansiedade, que leva às drogas, que levam às mortes prematuras.
O império segue rico – pra poucos. Bem cruel – pra muitos.
Detesto a realidade. Roubei e compartilho frase e sentimento de minha amiga Rebeca. Sigo dividindo com ela o detestar da realidade-real que nos massacra. Sem deixar de rir e sonhar com dias melhores. De tempos, histórias e gentes – muito melhores.
Confesso que bebi
Jaguar tinha 93 anos. Morreu num domingo. Primeiro dia da semana. Dia de descanso pra começar tudo de novo, na segunda. O cara que, no ponto certo da acidez, debochava e cartunava nós no tal mundo em que vivemos, foi começar de novo em alguma esfera especial entre o céu e a terra, ou dentro do Céu, no meio da terra. Num arco ires, talvez. Onde haja botecos. Pés-sujos, de preferência.
Vai chargear por lá. Rindo das cinzas que deixou para serem espalhadas de bar em bar, por aqui.
Foi-se Sergio de Magalhães Gomes Jaguaribe. Fica o Jaguar, o amigo delicioso, carioca que amou morar em Brasília. Ficam por aqui seus malvados e suas malvadezas – Ratinho Sig; Boris, o homem-tronco; Gastão, o vomitado; Tânia, a Fossa, a Anta de Tênis. Fica o Pasquim e sua história na nossa História.
Saudades do Millôr.
Saudades do Ziraldo.
Saudades eternas do Jaguar.
Confesso que chorei.
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