Regional: Esquiadora de Caraguatatuba supera desafios e estreia nos Jogos Olímpicos de Inverno/2026 na Itália

A brasileira Bruna Moura vai, enfim, estrear nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão/Cortina 2026. Um grave acidente automobilístico que sofreu na Itália, em janeiro de 2022, a impediu de participar dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, na China. Com sequelas físicas e um longo processo de recuperação, Bruna transformou o ciclo olímpico em uma história de adaptação, resiliência e alto rendimento, fechando a temporada com alguns dos melhores resultados da carreira. E chega à Itália como uma das líderes do esqui cross-country do Brasil.

A cerimônia de abertura será no dia 6 de fevereiro e a primeira competição de Bruna será no dia 8, na cidade de Cortina D’Ampezzo.

A atleta Bruna Moura, começou sua trajetória na cidade de Caraguatatuba. Iniciou nos esportes ainda na escola, participava das atividades do Colégio da Família nos finais de semana e com isso, conquistou suas primeiras medalhas. Anos depois a jovem foi apresentada ao Mountain Bike e com dedicação e trabalho duro conseguiu conquistar uma bicicleta própria para iniciar no esporte radical e começar os treinos.

Em 2010 a esportista entrou para a equipe de mountain bike de Caraguatatuba, ganhou medalhas e ajuda para participar do projeto MTeenB, da atleta olímpica Jaqueline Mourão. Para esse projeto, vinte e quatro meninas de todo o Brasil foram selecionadas para passar o final de semana treinando com a atleta olímpica e ter a chance de assistir palestras sobre temas importantes no mundo dos esportes.

Com essa experiência Bruna conquistou a maturidade e confiança necessária para poucos meses depois, se tornar campeã brasileira de mountain bike pela primeira vez, com apenas 16 anos. Nesse período a jovem campeã ainda foi convidada para continuar treinando com Jaqueline no Canadá. Mesmo com o maior nível de dificuldade, a jovem logo conseguiu se adaptar, aprender as novas técnicas e assim conquistar medalhas de ouro e prata nas competições canadenses.

De volta ao país, a esportista continuou ganhando competições, “me tornei campeã paulista de mountain bike e ganhei outras provas estaduais. Em 2011, integrei a Seleção Brasileira, competindo pelo país no campeonato Pan-americano de mountain bike na Colômbia e obtive a 8° colocação. Participei de duas etapas da copa do mundo em uma terceira versão do projeto MTeenB, me tornei bicampeã brasileira e ganhei várias outras corridas”.

Ao realizar um exame de rotina, solicitado por Jaqueline, sua então treinadora, Bruna descobriu um problema cardíaco que a impedia de continuar no esporte. Ela foi diagnosticada com CIA – Comunicação Interatrial de 2 centímetros [Defeito congênito que produz um buraco na parede entre as câmaras superiores do coração (átrios)]. Depois de uma certa resistência, a atleta teve que parar de praticar e de competir e precisou deixar o sonho de chegar ao ápice da carreira de um atleta, “as Olimpíadas”.

Mas Jaqueline, sua treinadora, continuou a apoiando, não aceitou essa opção e decidiu que iriam atrás de uma forma de a atleta realizar o cateterismo. “A Jaque conseguiu uma oportunidade para que eu realizasse o cateterismo através de uma pesquisa no Instituto Dante Pazzanese em São Paulo. Ela foi pessoalmente na clínica pedir por essa oportunidade e após horas de conversa, conseguiu. Nessa pesquisa, seria testado um novo tipo de prótese – CERA – que era uma versão atualizada da prótese AMPLATZER.

Em 2013 o cateterismo foi realizado e após a permissão médica, três meses depois, Bruna pode voltar a praticar esportes de alta intensidade sem restrições. Seis meses após retornar ao mountain bike, o convite da CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve) para ingressar no ski e eventualmente integrar a seleção brasileira. “O sonho olímpico ainda estava vivo”!

A atleta fez parte da Seleção Brasileira de Ski Cross Country de 2014 a 2020, e também fez parte da Seleção Brasileira de Biathlon (ski com tiro esportivo). Como o ski é um esporte muito específico e por não termos neve no Brasil, quando está em Caraguá, Bruna precisava adaptar seus treinos, utilizando um Rollerski – equipamento adaptado para trabalhar a técnica do ski no asfalto.

No início de 2021, com os resultados atingidos no Campeonato Mundial de Ski, na Alemanha, e posteriormente na última etapa da Copa do Mundo, na Suíça, Bruna e Jaqueline Mourão conquistaram pontos suficientes para abrir duas vagas olímpicas para o Brasil no feminino. E foram convocadas para competir na modalidade esqui cross country representando o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno que aconteceram em fevereiro de 2022, em Pequim, na China.

Mas infelizmente o sonho olímpico foi adiado mais uma vez, Bruna sofreu um acidente automobilístico próximo a cidade de Oberinntal, na Itália. A atleta seguia para a Alemanha, após um período de treinos na Áustria, onde faria os testes RT-PCR exigidos para entrar na China. Bruna sofreu fraturas na ulna (osso do antebraço) e nos pés e precisou ficar hospitalizada.

Vamos todos torcer para que a esquiadora de Caraguatatuba traga a tão merecida medalha para o Brasil!

Fonte: RSS

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