Regularização da Vila Sahy avança três anos após tragédia em São Sebastião; veja obras e investimentos


Vila Sahy, em São Sebastião, durante tragédia
Fábio Tito/g1
Três anos após a tragédia provocada pelas chuvas históricas no Litoral Norte de São Paulo, o bairro da Vila Sahy, em São Sebastião, vive um processo de regularização fundiária. Em 19 de fevereiro de 2023, deslizamentos de terra provocaram a morte de 64 pessoas.
Desde janeiro deste ano, a Prefeitura de São Sebastião iniciou o Plano de Cadastramento Socioeconômico da Vila Sahy, etapa considerada fundamental para o avanço da Regularização Fundiária Urbana (Reurb). A ação é realizada em parceria com o Instituto Conservação Costeira (ICC).
O cadastramento envolve visitas domiciliares, aplicação de questionários, registros fotográficos, georreferenciamento dos imóveis e atendimento direto aos moradores. Jovens monitores, formados por meio de projetos do próprio instituto e da Escola Técnica Estadual (Etec), auxiliam no trabalho.
São Sebastião vai começar cadastro socioeconômico da Vila Sahy
Segundo a Secretaria de Habitação, todos os profissionais envolvidos atuam devidamente identificados e uniformizados durante as visitas. Os dados coletados permitirão traçar o perfil socioeconômico da comunidade, subsidiar as próximas etapas da regularização fundiária e ampliar a segurança jurídica das famílias.
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Barreiras
Segundo a Prefeitura de São Sebastião, na Vila Sahy foram instaladas barreiras flexíveis e barreiras contra fluxo de detritos, conhecidas como debris flow, projetadas para interceptar materiais em caso de novos movimentos de massa.
As intervenções também incluíram a construção de muros de gabião e ações de reflorestamento. O sistema de drenagem foi ampliado com túneis executados pelo método tunnel liner sob a rodovia SP-55, além de canalizações em colchão reno e aduelas de concreto, garantindo o deságue adequado no Rio Sahy.
Barreira contra fluxo de detrito na Vila Sahy.
Prefeitura de São Sebastião
A tragédia
A tragédia ocorreu na madrugada de 19 de fevereiro de 2023, domingo de Carnaval, após um volume extremo de chuva. A encosta cedeu e a lama desceu o morro, arrastando casas, veículos e moradores.
A precipitação registrada naquele período foi a maior já medida no país. A principal evidência disso está nas encostas da Serra do Mar que cercam a vila – as chuvas deixaram 851 cicatrizes nos morros.
Cicatrizes da Serra do Mar após os deslizamentos de terra na Vila Sahy, em São Sebastião, em 2023
Reprodução/TV Vanguarda
Atualmente, parte dessas áreas apresenta sinais de regeneração, resultado de ações de reflorestamento conduzidas pela Fundação Florestal. Entre as técnicas adotadas estão o lançamento de sementes por drones e a hidrossemeadura.
Após a tragédia, o futuro da área passou a ser tema de debate. Em novembro de 2023, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) pediu à Justiça a remoção imediata de moradores em áreas de risco e a demolição de imóveis. Meses depois, o governo estadual solicitou a retirada da ação judicial, alegando a busca por uma solução urbanística em diálogo com a comunidade.
Segundo balanço divulgado pela prefeitura em 2025, cerca de R$ 245 milhões foram investidos na Vila Sahy.
Tragédia na Vila Sahy completa 3 anos neste dia 19 de fevereiro.
Prefeitura de São Sebastião
Vila Sahy, em São Sebastião, após tragédia
Fabio Tito/g1
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Fonte: Matéria original

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