Ilhabela se Despede de Roberto Fazzini: O Prefeito Visionário que Moldou a Ilha aos 96 Anos

Ex-prefeito, vereador e presidente da Câmara Municipal faleceu nesta segunda-feira, deixando um legado de pioneirismo, integridade e transformação para a Estância Balneária

Ilhabela, 16 de março de 2026 — A Estância Balneária de Ilhabela acordou em luto nesta segunda-feira com a notícia do falecimento de Roberto Fazzini, aos 96 anos. Ex-prefeito em duas legislaturas marcantes (1973-1977 e 1993-1996), vereador e presidente da Câmara Municipal, Fazzini deixa um legado indelével de pioneirismo, visão estratégica e dedicação ao desenvolvimento da ilha. Figura icônica da política local, era conhecido por sua integridade inabalável e capacidade de realizar grandes transformações mesmo diante de recursos limitados.

Durante mais de três décadas de vida pública, Fazzini não apenas administrou a cidade em períodos cruciais de sua história, mas também lançou as bases para conquistas que hoje sustentam o orçamento municipal. Sua luta pioneira pelos royalties da Petrobras, iniciada em 1993, sua implementação da energia elétrica via cabos submarinos, a chegada da telefonia à ilha e sua defesa pela criação do Parque Estadual de Ilhabela nos anos 1970 são apenas alguns exemplos de uma visão de futuro que ultrapassou gerações.

Um Legado que Transcende Gerações

Em emocionante depoimento publicado nas redes sociais, o sobrinho de Roberto Fazzini sintetizou o sentimento de uma cidade inteira: “Hoje, Ilhabela se despede de um dos maiores homens de sua história. Faleceu meu tio, Roberto Fazzini, mais que um ex-prefeito, um verdadeiro estadista. E, para mim, o homem que foi meu espelho político.”

O depoimento revela não apenas a dimensão das realizações públicas de Fazzini, mas também sua influência pessoal e familiar: “Foi com ele que aprendi que política se faz com propósito. Que o cargo não define o homem — é o homem que dá sentido ao cargo. Que servir é sempre maior do que se servir.”

E talvez o testemunho mais comovente sobre o caráter do ex-prefeito: “Não deixou riquezas materiais. Não acumulou fortunas. Saiu da vida pública como entrou: com dignidade, com respeito e com aquilo que realmente importa — a família. Em tempos onde tantos se perdem no caminho, ele permaneceu íntegro.”

Uma Trajetória Marcada pelo Compromisso Público

Pier da vila acervo WB

A vida política de Roberto Fazzini começou em 1964, quando foi eleito vereador pela primeira vez. Sua ascensão na Câmara Municipal foi rápida: entre maio e julho de 1964, atuou como vice-presidente da Mesa Diretora e, em agosto do mesmo ano, assumiu a presidência da Câmara em substituição ao titular Giorgio Storace, que havia se licenciado. Permaneceu no cargo até janeiro de 1965, demonstrando desde cedo sua capacidade de liderança e articulação política.

De 1965 a 1966, ocupou o posto de 1º Secretário da Mesa Diretora. Reeleito vereador em 1969, voltou ao cargo de 1º Secretário entre 1970 e 1972, consolidando-se como uma das figuras mais respeitadas do Legislativo municipal. Era conhecido por seu profundo conhecimento das questões locais e sua habilidade em construir consensos.

Primeira Gestão: Tirando Ilhabela do Isolamento (1973-1977)

Em 1972, Fazzini lançou sua candidatura a prefeito ao lado do vice-prefeito Sebastião Ferreira dos Santos, sendo eleito pelo voto popular. Seu primeiro mandato coincidiu com um momento crucial da história política brasileira: era membro fundador do PMDB — então denominado MDB — em 1973, partido que se tornaria símbolo da resistência democrática durante o regime militar.

Como destacou seu sobrinho, “Foi em sua visão que Ilhabela começou a sair do isolamento.” E de fato, as transformações implementadas por Fazzini revolucionaram a infraestrutura da ilha.

Energia Elétrica: A Luz que Abriu Caminhos

Uma das realizações mais transformadoras de sua gestão foi a chegada da energia elétrica por meio de cabos submarinos. “Não foi apenas uma obra — foi a luz que abriu caminhos para o desenvolvimento”, nas palavras de seu sobrinho. A eletrificação da ilha permitiu a modernização do comércio, a instalação de equipamentos médicos nos postos de saúde e a melhoria na qualidade de vida dos moradores.

Antes desse marco, Ilhabela dependia de geradores isolados e candeeiros, limitando drasticamente o desenvolvimento econômico e social. A energia elétrica foi o primeiro passo para tirar a ilha do isolamento tecnológico que a mantinha distante do progresso do continente.

Telefonia: Conectando Ilhabela ao Mundo

A implantação da telefonia foi outra conquista fundamental. “A implantação da telefonia integrou a ilha ao mundo”, relembra o sobrinho. Até então, a comunicação entre Ilhabela e o continente era extremamente precária, dependendo de mensageiros que atravessavam de barco. Com a chegada das linhas telefônicas, empresas puderam se estabelecer, famílias ficaram conectadas e serviços essenciais como resgate médico tornaram-se mais eficientes.

Pavimentação: Conexão, Mobilidade e Progresso

O início da pavimentação entre o centro e a balsa foi outra obra emblemática. “Não foi apenas infraestrutura — foi conexão, mobilidade e progresso”, pontua o familiar. Esta via, que liga o terminal de balsas ao centro histórico da Vila, era fundamental para o escoamento da produção local e para o nascente turismo.

Com o início do boom turístico nos anos 1970, impulsionado pela melhoria das estradas de ligação entre São José dos Campos, Caraguatatuba e São Sebastião, Ilhabela começava a receber um fluxo crescente de visitantes. A pavimentação desta via estratégica facilitou o acesso e melhorou a primeira impressão dos turistas que chegavam à ilha.

Urbanização e Inovação Tecnológica

Acervo Câmara Municipal de Ilhabela

Além das grandes obras de infraestrutura, Fazzini promulgou a Lei nº 22/1974, que estabeleceu normas para a construção de muros, passeios públicos e limpeza de terrenos — legislação fundamental que lançou as bases da urbanização ordenada da cidade. Esta lei, ainda hoje referenciada no planejamento urbano municipal, foi pioneira em estabelecer padrões de ocupação que preservassem o caráter insular de Ilhabela.

Nos bairros da Água Branca e Barra Velha, onde o crescimento populacional gerava problemas de mobilidade, Fazzini introduziu uma solução inovadora desenvolvida pela Universidade de São Paulo: a técnica conhecida como baba de cupim ao barro. Esta tecnologia permitia compactar o solo das vias não pavimentadas, combatendo os atoleiros que dificultavam o acesso em dias de chuva — um problema crônico que afetava a população local e o incipiente turismo.

Estrada dos Castelhanos: Visão e Mãos na Massa

Uma das obras mais emblemáticas da gestão de Fazzini foi a abertura da Estrada dos Castelhanos, hoje um dos principais atrativos turísticos de Ilhabela. Mas o que poucos sabem é o grau de envolvimento pessoal do prefeito neste projeto desafiador.

Fazzini não se limitava a assinar decretos e despachos em seu gabinete. Regularmente, subia as encostas da ilha pessoalmente para indicar ao maquinista Pedro Nery da Hora o traçado exato que a estrada deveria seguir. Esta prática demonstrava não apenas seu conhecimento profundo da geografia insular, mas também sua compreensão de que esta via seria fundamental para o futuro turístico e econômico da cidade.

A parceria entre o prefeito visionário e o experiente maquinista resultou em um traçado que equilibrava acessibilidade e preservação ambiental. A estrada corta 17 quilômetros pelo interior do Parque Estadual, atravessando trechos de Mata Atlântica preservada até alcançar a deslumbrante Praia de Castelhanos, com sua característica forma de coração visível do mirante.

Hoje, décadas depois, a Estrada dos Castelhanos é um dos passeios mais procurados por turistas. Administrada pelo Parque Estadual, recebe diariamente dezenas de veículos 4×4, ciclistas e caminhantes que percorrem o trajeto planejado por Fazzini e executado por Pedro Nery da Hora. O limite diário de 65 jipeiros, 42 veículos particulares e 60 motos garante a preservação ambiental sem comprometer o acesso a uma das praias mais belas do litoral paulista.

Consciência Ambiental: A Maior Obra de Todas

Como observou seu sobrinho, “Talvez sua maior obra não tenha sido de concreto, mas de consciência.” De fato, a visão ambiental de Fazzini estava décadas à frente de seu tempo.

Em 1974, quando o Brasil vivia o auge do desenvolvimentismo do regime militar, com grandes obras de infraestrutura frequentemente ignorando impactos ambientais, Fazzini defendeu junto ao governador Paulo Egydio Martins a criação do Parque Estadual de Ilhabela. Sua visão reconhecia que o futuro da ilha dependia da preservação de seus recursos naturais.

Nas palavras do sobrinho: “Ao lado do Governo do Estado, participou da criação do Parque Estadual de Ilhabela, por meio do Decreto nº 9.414, de 20 de janeiro de 1977. Uma decisão que garantiu algo raro: crescimento com preservação. Futuro com responsabilidade.”

O Parque Estadual, criado oficialmente em 20 de janeiro de 1977, protege hoje 27.025 hectares — cerca de 85% do arquipélago. Trata-se da maior área insular remanescente de Mata Atlântica do Brasil, abrigando centenas de nascentes, 51 espécies de mamíferos, 314 espécies de aves, 41 de anfíbios e 44 de répteis. Reconhecido pela UNESCO como núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, o parque contribuiu para a fantástica recuperação da floresta que havia sido degradada após 350 anos de agricultura predatória.

Período Entre Mandatos: Articulação e Diálogo

Entre seus dois mandatos como prefeito, Fazzini manteve-se ativo na política local, demonstrando uma característica que marcaria toda sua trajetória: a capacidade de superar rivalidades em prol do bem comum. Colaborou ativamente com o prefeito Manoel Marcos de Jesus Ferreira, filho de seu antigo rival político Eurípedes da Silva Ferreira — ex-prefeito que governou Ilhabela em diversos períodos entre 1950 e 1980 e que hoje dá nome à Escola Municipal Prefeito Eurípedes da Silva Ferreira, na Barra Velha. Esta colaboração exemplificava o espírito republicano de Fazzini: colocar os interesses da cidade acima das disputas partidárias.

Segunda Gestão: A Luta pelos Royalties (1993-1996)

Retornando à prefeitura em 1993, desta vez com Ricardo Cortês como vice-prefeito, Fazzini encontrou uma Ilhabela transformada. A pavimentação da SP-55 (Rodovia Dr. Manoel Hypóllito do Rego) na década de 1980 havia provocado um boom na construção civil e no turismo. A cidade enfrentava o desafio de um dos maiores crescimentos demográficos do Estado de São Paulo.

Em 1993, criou as primeiras feiras livres nos bairros da Vila e da Princesa Isabel, impulsionando o comércio local e fortalecendo a agricultura familiar. As feiras, que se tornaram tradicionais pontos de encontro da comunidade, representavam sua preocupação em preservar a cultura caiçara enquanto modernizava a economia.

Mas foi a luta pelos royalties da Petrobras que se revelaria a ação mais estratégica de toda sua carreira. Como destaca o sobrinho: “Com visão estratégica e coragem política, lutou pela conquista dos royalties do petróleo — um marco que deu a Ilhabela autonomia financeira e a capacidade de investir em seu próprio futuro.”

Iniciada em 1993, a batalha para garantir que Ilhabela recebesse compensações financeiras pela exploração de petróleo e gás natural na Bacia de Santos demonstrava a visão de longo prazo de Fazzini. Na época, poucos imaginavam a dimensão que estas receitas alcançariam.

O Legado Visionário: Da Luta aos Bilhões

Hoje, mais de três décadas após Fazzini iniciar a luta pelos royalties, Ilhabela tornou-se uma das cidades mais ricas do Brasil em termos de receita per capita. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2024 o município recebeu mais de R$ 1 bilhão em royalties e participações especiais — sendo o único município paulista entre os 10 maiores recebedores do país, ao lado de gigantes fluminenses como Maricá, Niterói e Macaé.

A exploração dos campos de pré-sal da Bacia de Santos, especialmente Sapinhoá e Lapa, transformou completamente o orçamento municipal. Com uma população de aproximadamente 36 mil habitantes (que pode chegar a 100 mil na alta temporada), Ilhabela possui um orçamento anual superior a R$ 1 bilhão.

Os royalties representam cerca de 80% das receitas municipais, financiando investimentos em saúde, educação, infraestrutura viária, saneamento básico e comunicação — exatamente as áreas que Fazzini priorizava em suas gestões. Sua visão estratégica de 1993 garantiu recursos que hoje são fundamentais para o desenvolvimento sustentável da ilha.

Estudos acadêmicos sobre a aplicação dos royalties em Ilhabela mostram que, entre 2014 e 2019, o município arrecadou quase 45% de todas as receitas de royalties e participação especial dos últimos 20 anos. Em 2018, Ilhabela recebeu R$ 819 milhões — valor superior ao orçamento total de municípios turísticos como Gramado-RS (R$ 248 milhões) e Ubatuba-SP (R$ 326 milhões).

Homenagem em Pedra e Cal: A Escola Roberto Fazzini

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Em reconhecimento aos seus dois mandatos como prefeito e sua sólida carreira política, Roberto Fazzini foi homenageado em outubro de 2023 com a inauguração da Escola Municipal Prefeito Roberto Fazzini, no bairro do Green Park. A unidade, primeira escola do bairro, foi construída para atender alunos do Ensino Infantil (de 1 a 5 anos) e Fundamental I (1º ao 5º ano), contando com 13 salas de aula e auditório.

Na inauguração, o prefeito Toninho Colucci destacou: “A escola com o nome do ex-prefeito Roberto Fazzini é uma homenagem merecedora pela sua contribuição para o desenvolvimento de Ilhabela. Durante sua gestão, Fazzini se destacou por promover melhorias na educação, infraestrutura viária, comunicação e saúde, além de ter sido um dos pioneiros na luta pelos royalties da Petrobras.”

A escola simboliza não apenas o reconhecimento a Fazzini, mas também o compromisso de Ilhabela em investir na educação — uma das prioridades do ex-prefeito durante suas gestões. Com mais de 6,6 mil alunos distribuídos em 39 escolas municipais e uma equipe de 618 professores, a rede educacional de Ilhabela continua expandindo-se, sustentada em parte pelas receitas que Fazzini ajudou a conquistar.

Ilhabela nos Anos de Fazzini: Uma Cidade em Transformação

Para compreender a magnitude das realizações de Roberto Fazzini, é fundamental contextualizar a Ilhabela de sua época. Quando assumiu seu primeiro mandato em 1973, a ilha ainda vivia os resquícios da crise econômica que a havia assolado após o colapso do ciclo do café no início do século XX.

De uma população que havia chegado a 10.769 habitantes em 1854, durante o auge da produção cafeeira em cerca de 225 fazendas, Ilhabela encolhera para apenas 4.800 habitantes em 1950. A abertura da ferrovia São Paulo-Rio de Janeiro havia isolado economicamente o litoral, e a ilha sobrevivia basicamente da produção de aguardente (cachaça) e, posteriormente, de banana.

A travessia de balsa para São Sebastião, fundamental para o desenvolvimento da ilha, havia sido implantada apenas em 1958, durante o governo de Jânio Quadros. Quando Fazzini assumiu em 1973, a cidade começava timidamente a se beneficiar do turismo, mas ainda enfrentava problemas básicos de infraestrutura, saneamento e acesso.

Foi neste cenário de reconstrução econômica e social que Fazzini implementou suas políticas de eletrificação, telefonia, urbanização e preservação ambiental. Sua gestão coincidiu com o início da transformação de Ilhabela de uma comunidade predominantemente pesqueira e agrícola em um dos principais destinos turísticos do litoral paulista — transição que ele soube conduzir preservando as características e a cultura local.

Um Político Sem Escândalos: Integridade Como Marca

Em uma época marcada por escândalos e processos judiciais envolvendo políticos, Roberto Fazzini destacava-se pela integridade inabalável. Durante toda sua carreira pública — que se estendeu por mais de três décadas entre vereança e prefeituras — nunca foi alvo de investigações, processos ou acusações de irregularidades.

“Fazzini respirava política”, como diziam seus contemporâneos, mas sua paixão pela vida pública era movida pelo senso de dever e compromisso com a comunidade. Sua transparência na gestão dos recursos públicos e sua prestação de contas constante ao Legislativo tornaram-se referências para as administrações que o sucederam.

O testemunho mais eloquente sobre seu caráter vem de seu sobrinho: “Não deixou riquezas materiais. Não acumulou fortunas. Saiu da vida pública como entrou: com dignidade, com respeito e com aquilo que realmente importa — a família. Em tempos onde tantos se perdem no caminho, ele permaneceu íntegro.”

Sua capacidade de diálogo e construção de consensos permitiu que trabalhasse produtivamente com diferentes correntes políticas. Mesmo tendo sido membro fundador do MDB/PMDB em Ilhabela — partido de oposição ao regime militar — mantinha relações republicanas com adversários políticos, colocando sempre os interesses da cidade acima das divergências partidárias.

Família e Continuidade do Legado

A família Fazzini segue ativa na vida pública de Ilhabela. Ricardo Fazzini, parente do ex-prefeito, tem atuado em funções relacionadas ao desenvolvimento turístico da cidade, setor que seu antepassado ajudou a estruturar. Como expressa o sobrinho em seu depoimento: “Seu legado está na cidade. Mas também vive em mim.”

A presença da família nas atividades comunitárias e no setor público demonstra a continuidade dos valores de compromisso cívico que Roberto Fazzini personificava: “Foi com ele que aprendi que política se faz com propósito. Que o cargo não define o homem — é o homem que dá sentido ao cargo.”

Ilhabela Hoje: Frutos de uma Visão Plantada há Cinco Décadas

A Ilhabela de 2026 é radicalmente diferente daquela que Fazzini administrou nos anos 1970. Com população estimada entre 36 mil e 40 mil habitantes (chegando a 100 mil na alta temporada), a cidade consolidou-se como um dos principais destinos turísticos do Brasil, reconhecida mundialmente pela preservação ambiental e belezas naturais.

O Parque Estadual que Fazzini ajudou a criar tornou-se modelo internacional de conservação. Com 85% do território protegido, Ilhabela mantém uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica do país, abrigando espécies endêmicas e ameaçadas. O turismo ecológico movimenta a economia local, com trilhas, cachoeiras e praias paradisíacas atraindo visitantes do mundo inteiro.

A infraestrutura básica que Fazzini implantou — energia elétrica via cabos submarinos, telefonia e pavimentação — foi exponencialmente ampliada. Hoje, a ilha conta com internet de alta velocidade, sistema de travessia de balsas moderno e eficiente (com seis embarcações operando a cada meia hora), e uma rede viária significativamente expandida.

Os royalties do petróleo, cuja luta Fazzini iniciou em 1993, transformaram-se na principal fonte de receita municipal. Com mais de R$ 1 bilhão anuais, Ilhabela tornou-se o maior recebedor per capita de royalties de São Paulo, permitindo investimentos maciços em educação, saúde, infraestrutura e programas sociais.

Apesar dos desafios que ainda persistem — como déficit habitacional, saneamento básico e gestão do crescimento urbano — a cidade possui recursos financeiros robustos para enfrentá-los. O orçamento de Ilhabela, que equivale a quatro vezes o de cidades 20 vezes maiores, é testemunho direto da visão estratégica daquele prefeito que, há mais de 30 anos, teve a coragem de lutar por compensações que pareciam distantes.

Um Estadista que Moldou o Futuro

Roberto Fazzini faleceu aos 96 anos, mas seu legado permanece vivo em cada esquina de Ilhabela. Da luz elétrica que ilumina as casas aos cabos submarinos, da linha telefônica que conecta famílias aos bilhões em royalties que financiam o desenvolvimento, da mata preservada no Parque Estadual às escolas que levam seu nome — tudo isso é fruto da visão de um homem que, como disse seu sobrinho, “foi à frente do seu tempo.”

Mais que um prefeito, Fazzini foi um estadista que compreendeu que desenvolvimento não se mede apenas em obras de concreto, mas em consciência ambiental, em planejamento estratégico, em integridade pessoal. “Sua grandeza nunca esteve apenas nas obras”, como observou seu familiar.

Numa era em que tantos políticos acumulam fortunas e processos, Fazzini deixou um exemplo diferente: “Saiu da vida pública como entrou: com dignidade, com respeito e com aquilo que realmente importa — a família.” Não deixou milhões em contas bancárias, mas legou bilhões em infraestrutura, preservação ambiental e oportunidades para as futuras gerações.

Ilhabela cresceu, modernizou-se, enriqueceu. Mas em meio a todas essas transformações, as sementes plantadas por Roberto Fazzini continuam germinando: a luz que ele trouxe ilumina novos caminhos, a telefonia evoluiu para internet de alta velocidade, a pavimentação expandiu-se por toda a ilha, os royalties que ele conquistou financiam sonhos, e a mata que ele protegeu respira e abriga vida.

Hoje, Ilhabela se despede de Roberto Fazzini. Mas seu legado — como bem disse seu sobrinho — “está na cidade, mas também vive em cada um que aprendeu com seu exemplo que servir é sempre maior do que se servir.”

Descanse em paz, Roberto Fazzini.

Ilhabela jamais esquecerá o prefeito visionário que a tirou do isolamento

Matéria produzida em homenagem a Roberto Fazzini – 16 de março de 2026

Ricardo Severino

Ricardo Severino
+30 anos de Experiencia em Comunicação
Profissão: Radialista, Jornalista e Especialista em Estratégias e Analíticos
Formação: Especialização em Estratégias e Analíticos pelo Recode (Google)

Ricardo Severino é um profissional experiente nas áreas de radiodifusão, jornalismo e análise de dados estratégicos. Formado pelo programa de especialização do Recode, instituição apoiada pelo Google, ele possui amplo conhecimento em estratégias e análise de dados aplicados a diversos setores.

Ex-prefeito de Ilhabela morre aos 96 anos