Moradores debatem nas redes e em grupos de WhatsApp possível relação entre o desassoreamento e a morte dos animais
Segundo publicação feita nesta sexta-feira (3/4) nas redes sociais pelo perfil @ilhabelasplt, raias foram encontradas mortas na praia próxima à saída do Ribeirão da Água Branca, em Ilhabela, região que fica ao lado do atracadouro da balsa que faz a travessia para São Sebastião. O registro rapidamente tomou conta dos grupos de WhatsApp da cidade, onde moradores passaram a debater as possíveis causas do episódio, especialmente diante do fato de que tanto o canal marítimo próximo ao atracadouro quanto o próprio Ribeirão da Água Branca estão sendo submetidos a obras de dragagem para aumento da profundidade e adequação do sistema de atracagem das embarcações.
Entre os que participaram do debate, o médico Dr. Flávio Freitas chamou atenção pela análise direta que fez da situação. Em conversa registrada nos grupos, ele apontou: “é exatamente aonde tá desaguando o rio ali. Então existe uma grande, grande, grande possibilidade — ou será coincidência? — que começou o desassoreamento lá e morreram essas arraias.” Para ele, a hipótese não é absurda nem alarmismo: “é uma coisa factível, provável. Factível sim.”

A reportagem do Voz do Litoral está apurando o caso e buscando manifestação de especialistas em biologia marinha e de órgãos ambientais responsáveis pelo monitoramento das obras. Não há até o momento confirmação técnica de causalidade, mas a coincidência entre o início do desassoreamento e o aparecimento dos animais mortos mantém a suspeita viva e o debate aceso na cidade.
Estudos sobre impactos de dragagem em ambientes costeiros documentam que o processo pode causar mortalidade direta de organismos marinhos de baixa mobilidade que habitam o fundo, exatamente o perfil das raias, por asfixia, ferimentos mecânicos, aumento da turbidez da água e ressuspensão de sedimentos tóxicos. Em Santos e em Pernambuco, casos semelhantes já mobilizaram pescadores, ambientalistas e até o Ministério Público Federal após mortalidades registradas logo após início de obras de dragagem.
O Voz do Litoral aguarda posicionamento oficial dos responsáveis pela obra. Caso o leitor tenha fotografias, vídeos ou informações adicionais sobre o caso, entre em contato com a redação.

