O conglomerado dos Emirados Árabes Unidos, Grupo Edge, anunciou a compra de 100 % da Akaer, empresa brasileira de defesa e engenharia aeroespacial, em acordo cujos valores não foram divulgados. A operação foi confirmada em entrevista concedida ao canal CNN, com o diretor financeiro Rodrigo Torres explicando que a aquisição integra a estratégia de ampliar a presença do grupo no Brasil. A Akaer, fundada em 1992 e sediada em São José dos Campos, acumula mais de 10 milhões de horas de engenharia e já participou de projetos estratégicos das Forças Armadas, como o caça Gripen, o cargueiro KC‑390, o avião de ataque Super Tucano e diversas aeronaves comerciais da Embraer. Além de atuar em sistemas optrônicos, tecnologias espaciais e modernização de equipamentos militares, a empresa tem cerca de 40 % de sua receita proveniente de contratos já firmados com o Grupo Edge. O investidor dos Emirados já detinha 50 % da SIATT, empresa brasileira especializada em armamentos inteligentes, e controla a Condor, fabricante de equipamentos não letais, mantendo projetos com a Marinha, entre eles os mísseis antinavio MANSUP e MANSUP‑ER. A compra ocorre em meio a dificuldades financeiras graves na Akaer. Segundo Torres, a companhia acumulou dívidas, deixou de pagar a folha de pagamento há algum tempo e suspendeu o plano de saúde há quase um ano, configurando um quadro de déficit acentuado. Durante a feira LAAD, realizada no Brasil, representantes do Ministério da Defesa e das Forças Armadas buscaram o Grupo Edge para discutir alternativas que evitassem o fechamento da empresa, o que indica a relevância dos projetos em que a Akaer está envolvida para a segurança nacional. Ainda não foram divulgados prazos ou condições para a regularização das obrigações trabalhistas e com fornecedores. A transação amplia a presença do Grupo Edge no setor de defesa brasileiro, mas deixa indefinidos o valor da compra, o cronograma de pagamento das dívidas da Akaer e as garantias oferecidas aos trabalhadores afetados. Sem esclarecimentos oficiais sobre esses pontos, permanece a dúvida sobre como a nova estrutura societária impactará os projetos em andamento e a sustentabilidade da empresa no longo prazo.
Redação Jornal Voz do Litoral
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