Investigadores revelam metas de fraude em escritórios de advogados

Investigadores da Operação Distrato, coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira‑SP), divulgaram anotações encontradas em quadros brancos que detalham a organização interna de um escritório ligado à advogada Mayra Fahur de Paula. As notas, apreendidas entre as 38 buscas e apreensões realizadas em São Paulo e no Paraná, indicam que o grupo estabelecia metas diárias de 30 ligações, 10 reuniões semanais e o fechamento de oito contratos por mês para a prática de golpes tributários federais e estaduais. A estrutura incluía cinco advogados dedicados a fraudes federais e dois focados em crimes envolvendo ICMS, segundo análise dos auditores fiscais. A defesa de Mayra afirma que não há vínculo societário com o advogado Nelson Wilians, embora os investigadores descrevam o escritório como parte de um amplo ecossistema econômico associado a Wilians. A Operação Distrato investiga suspeitas de sonegação de R$ 3,8 bilhões em créditos de ICMS, com mandados que atingiram escritórios de advocacia, consultorias e intermediadoras que supostamente simulavam créditos tributários para reduzir indevidamente o imposto devido ao estado de São Paulo. O relatório do Núcleo de Inteligência Fiscal em Recuperação de Ativos (Nira) aponta que, durante a execução dos mandados, Mayra teria instruído funcionários a apagar remotamente servidores para destruir provas. O grupo econômico, segundo os agentes, apresenta “grau mais elevado de sofisticação organizacional”, utilizando empresas de fachada, veículos de luxo e helicópteros para conferir credibilidade às fraudes. Os documentos analisados revelam ainda uma “diversificação incomum” de ativos, incluindo uma frota de carros como Rolls‑Royce Phantom, Ferrari SF90 Stradale e Lamborghini Urus, além de um helicóptero Leonardo AW169 e um jato Embraer EMB‑135BJ. Um e‑mail de 27 de maio de 2024, enviado por Mayra, confirma sua função como ponte entre o discurso jurídico e a execução material das fraudes, operando a partir de um endereço em Campinas compartilhado por outros integrantes do núcleo. A apuração ainda não esclareceu quem responderá pelos supostos crimes, quais medidas judiciais serão adotadas contra os advogados e empresas envolvidos, nem como será feita a recuperação dos recursos desviados. A falta de respostas oficiais deixa a população e os órgãos de controle sem clareza sobre a efetividade da operação e os próximos passos da investigação.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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