A chegada de navios de gado em São Sebastião tem causado poluição e preocupação entre os moradores. Esses navios transportam gado vivo para ser morto na Turquia, seguindo ritos ditados pela religião. Deixam na cidade um rastro fedorento de urina e merda derramada em abundância das carretas de gado pelas ruas por onde passam. O transporte de gado é feito de pastos distantes, espremido cruelmente, e sacoleja durante dias intemináveis para enfim embarcar em São Sebastião para uma viagem de terror inimaginável. Houve uma tentativa na Câmara Municipal de pôr um fim nesse negócio do Agro Ogro, mas foi em vão. Representante dos funcionários do porto berrou colérico que, se a lei passar, eles vão derrubar na justiça e continuar alimentando suas famílias com seu trabalho. O que significa que o dinheiro vem de uma atividade que infringe enorme dor nos bovinos, que são categorizados como seres sencientes. A operosa indústria do turismo local se aproveitaria dessa calamidade para vender excursões náuticas, ao invés de ver jubarte espirrar e dançar, se assustar e vomitar vendo a boiada apodrecer boiando descarnada na contramão, atrapalhando o tráfego petroleiro e shopping centreiro. Imaginemos que essa mesma tragédia tivesse como palco o Canal de São Sebastião. Horror, horror, horror. E horror maior é supor que, numa suprema desfaçatez, a indústria do turismo se aproveitasse disso para vender excursões.
Redação Jornal Voz do Litoral
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