Uma cerimônia de funeral coletivo foi realizada na Faixa de Gaza, onde 112 corpos do clã palestino Al‑Hassayna foram dispostos em macas e envoltos em bandeiras. O clã, de ascendência beduína, foi quase extinto há quase três anos após um ataque aéreo israelense em 22 de novembro de 2023 que destruiu um conjunto de apartamentos em Sabra, bairro antigo da Cidade de Gaza, matando 308 membros da família, também conhecida como Abu Sharia. Aproximadamente metade das vítimas já havia sido recuperada e enterrada, mas 153 corpos permaneceram sob os escombros até a recente operação de resgate. A operação contou com uma equipe de 40 trabalhadores que, ao longo de 17 dias, vasculhou meticulosamente os destroços e identificou os restos mortais de 112 das vítimas desaparecidas. Na terça‑feira, dia 4, vizinhos e sobreviventes do clã reuniram‑se em um terreno devastado pelas ruínas para o que as autoridades palestinas descreveram como o maior funeral em massa da guerra de Gaza. Homens carregaram as macas pelas ruas, enquanto uma placa exibia retratos dos mortos – homens, mulheres e crianças. Taysir Al‑Hassayna, sobrevivente do clã, declarou que o dia reabre feridas três anos após o massacre, trazendo tristeza às crianças e mulheres, mas que os mortos são vistos como mártires. A Reuters não conseguiu localizar um comunicado militar israelense de novembro de 2023 que apresentasse a versão de Israel sobre o ataque, e as Forças Armadas não responderam imediatamente a pedidos de comentário. Autoridades de saúde palestinas estimam que mais de 73 mil palestinos morreram na guerra, com cerca de 8 mil corpos ainda possivelmente sob os escombros. Omar Al‑Hassayna, de 65 anos, que fugiu para o Egito após o bombardeio, chorou ao assistir ao funeral transmitido por satélite em Cairo, lembrando que sua esposa e quatro filhos adultos também foram mortos. A cerimônia evidencia a continuidade da dor e a falta de respostas claras sobre a responsabilidade e a recuperação dos desaparecidos. Enquanto a comunidade local lamenta a perda, permanecem dúvidas sobre por que tantos corpos ainda permanecem sob os escombros e quais medidas serão tomadas para evitar novas tragédias. A ausência de um posicionamento oficial das forças responsáveis deixa a população em busca de explicações que ainda não foram fornecidas.
Redação Jornal Voz do Litoral
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