Na segunda‑feira, 10 de julho, a Polícia Federal e a Controladoria‑Geral da União coordenaram uma operação para aprofundar as investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master. O Ministério da Justiça autorizou a expedição de oito mandados de busca e apreensão, cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo, onde foram apreendidos computadores, discos rígidos, pendrives, telefones pessoais e corporativos, além de documentos físicos, agendas, anotações, contratos e comprovantes financeiros. O foco da operação recai sobre seis pessoas ligadas ao Iprev: João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que integrou o Conselho de Administração do instituto na época dos fatos; Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex‑diretor‑presidente do Iprev; Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex‑coordenador‑geral de Investimentos; Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado; Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda; e Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos. A empresa de consultoria Crédito & Mercado foi contratada pelo Iprev para conduzir o credenciamento, a elaboração e a validação das análises e a formação documental das operações junto ao Master, configurando, segundo a PF, uma “terceirização indevida da competência administrativa”. Em sua decisão, o ministro André Mendonça decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores dos investigados, até o limite global de R$ 97 milhões. A PF apontou que as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas, sem estudo comparativo de alternativas, sem análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez ou exame da cláusula de subordinação. As suspeitas recaem sobre duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master: R$ 97 milhões em dezembro de 2023 e R$ 17 mil em maio de 2024. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025 por determinação do Banco Central, que apontou violação às normas do Sistema Financeiro Nacional e grave crise de liquidez. O Iprev, em nota, afirmou que “os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis” e destacou que seu patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que garantiria a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas. O instituto declarou ainda estar colaborando com as autoridades. Contudo, a operação deixa sem resposta quem direcionou os investimentos ao Master, por que as análises de risco foram omitidas e quais foram os responsáveis pela suposta exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida. A apuração segue em curso, sem definição de responsabilidade ou prazo para conclusão.
Redação Jornal Voz do Litoral
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