O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta‑feira, 12, o julgamento de duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que tratam da moratória da soja nos estados de Mato Grosso e Rondônia. Os processos, que voltaram aos gabinetes dos ministros relatores Flávio Dino e Dias Toffoli em junho, foram incluídos como prioridade para o segundo semestre, logo após o recesso judiciário. Essa retomada indica que a corte pretende decidir, ainda neste semestre, sobre a legalidade das leis estaduais que restringem benefícios fiscais e a concessão de terrenos públicos a empresas que aderiram a acordos de limitação da expansão agropecuária em áreas não protegidas por legislação ambiental específica. A moratória da soja, estabelecida em 2006 entre tradings, indústria e organizações da sociedade civil, visa impedir a compra de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia após julho de 2008. As duas ADIs principais – ADI 7774, de relatoria do ministro Flávio Dino, referente à lei de Mato Grosso, e ADI 7775, de relatoria do ministro Dias Toffoli, referente à lei de Rondônia – questionam se tais restrições extrapolam o Código Florestal. Além delas, o STF tem em pauta outras duas ADIs secundárias: ADI 7863, de autoria do ministro Luiz Fux, sobre a legislação de Tocantins, e ADI 7823, sem autoria, referente ao Maranhão. Representantes do setor produtivo alegam que a moratória cria barreiras além das previstas na legislação florestal, enquanto organizações ambientais defendem que o acordo contribuiu para a redução do desmatamento na Amazônia. O Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) do STF, que realizou reuniões entre as partes, ainda não chegou a um acordo, e os processos retornaram ao plenário para decisão final. O governo federal não esclareceu como a decisão do STF impactará os produtores locais nem quais medidas serão adotadas para equilibrar produção agrícola e preservação ambiental. A matéria permanece sem respostas definitivas sobre os efeitos da decisão e sobre a possibilidade de um novo consenso entre os atores. A falta de esclarecimentos deixa incertos os rumos da política de soja no país, enquanto o STF prepara o julgamento que poderá mudar significativamente o panorama agrícola e ambiental brasileiro.
Redação Jornal Voz do Litoral
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