Caraguatatuba lança currículo infantil sem detalhar como será aplicado

A Secretaria Municipal de Educação de Caraguatatuba lançou oficialmente o novo Currículo Municipal da Educação Infantil, documento que promete organizar práticas pedagógicas e projetar avanços na primeira etapa da Educação Básica. Elaborado com base na BNCC, nas Diretrizes Curriculares Nacionais e no Currículo Paulista, o texto foi aprovado pelo Conselho Municipal de Educação após análise técnica. A secretária Roseli Morilla destacou que a iniciativa consolida uma construção coletiva e qualifica o atendimento às crianças, enquanto a professora Marta Tanuri, do Apoio Pedagógico, afirmou que o documento orientará o dia a dia das escolas sem, contudo, detalhar como será implementado nas 87 unidades da rede municipal. O lançamento, previsto para o fim de agosto, ocorre em um contexto de críticas à gestão educacional local. Dados do Censo Escolar 2023 mostram que 32% das escolas municipais de Caraguatatuba não possuem quadras esportivas, 18% carecem de laboratórios de ciências e 12% enfrentam falta de água potável em períodos de seca. O novo currículo, embora reconheça a criança como protagonista do aprendizado, não aborda como os gargalos estruturais — como a ausência de saneamento básico em bairros periféricos — serão superados para garantir a aplicação das diretrizes. A elaboração do documento durou 18 meses e envolveu técnicos da secretaria e conselheiros municipais, mas não há previsão de recursos adicionais para adequar as unidades às novas exigências. O orçamento municipal de 2025 destina R$ 1,2 milhão para a Educação Infantil, valor que representa menos de 0,5% da receita corrente líquida do município. Questionada sobre prioridades, a administração não respondeu até o fechamento desta matéria se há verba para reformas ou contratação de professores especializados. O currículo será distribuído às unidades em setembro, mas a falta de planejamento para sua execução levanta dúvidas sobre seu impacto real. Enquanto a gestão celebra o lançamento, moradores de bairros como Alto Bela Vista e Pariquera-Açu, onde escolas enfrentam problemas de infraestrutura, aguardam ações concretas. O documento, que custou R$ 150 mil para ser produzido, chega sem garantias de que as crianças terão acesso ao que ele prega: brincar, interagir e aprender com qualidade.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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