A blitz realizada na praia da Mococa, entre Ubatuba e Caraguatatuba, marcou o início de uma nova fase nas fiscalizações de trânsito no Litoral Norte. Desde 2022, o governo estadual ampliou em 450% o número de veículos fiscalizados por suspeita de dirigir sob efeito de álcool, segundo balanço divulgado na última quinta-feira (20). Em São José dos Campos, que abrange a região, o crescimento foi de 169% no número de abordagens, enquanto as operações aumentaram 132% no mesmo período. A novidade é a incorporação de equipamentos para detectar maconha e cocaína ao volante, ampliando o escopo das blitze além do tradicional bafômetro. As penalidades para quem recusa o teste ou é flagrado alcoolizado permanecem inalteradas: multa de R$ 2.934,70 e suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por 12 meses. O veículo só é liberado se outro motorista habilitado e sóbrio assumir a direção; caso contrário, é recolhido ao pátio. Nos últimos sete meses, São José dos Campos já superou o total de fiscalizações realizadas em todo o ano de 2025, refletindo a intensificação das operações. No entanto, o balanço não detalha quantas abordagens resultaram em autuações por uso de drogas, nem quantas infrações foram registradas por recusa ao bafômetro. A medida ocorre em um contexto de crescimento exponencial das fiscalizações em todo o estado, com destaque para Jundiaí (1.300% de aumento) e outras sete superintendências do Detran-SP. Em seis regiões, incluindo a capital e Campinas, o número de operações nos primeiros sete meses de 2025 já supera o total do ano anterior. A capital, por exemplo, registrou 234% mais operações em 2024 em relação a 2022, mas o balanço não esclarece se esse aumento se traduziu em redução de acidentes ou mortes no trânsito. O que fica evidente é a escalada repressiva sem transparência sobre seus resultados práticos. Enquanto o governo estadual comemora o aumento de abordagens, não há dados públicos sobre a eficácia das novas tecnologias ou se as penalidades têm dissuadido motoristas de dirigir sob efeito de substâncias. A ausência de informações detalhadas deixa lacunas sobre o impacto real dessas medidas na segurança viária do Litoral Norte, onde o trânsito já é historicamente problemático devido ao fluxo turístico e à falta de fiscalização constante.
Redação Jornal Voz do Litoral
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