Um desastre natural sem precedentes atingiu a região do Himalaia entre o Nepal e o Tibete nesta semana, após o colapso de uma geleira de alta altitude desencadear uma avalanche de gelo, rochas, água e detritos que avançou pelos vales. As inundações repentinas destruíram comunidades inteiras, estradas, pontes e infraestrutura crítica, deixando um rastro de devastação que já soma 362 mortes confirmadas. Segundo dados atualizados nesta quinta-feira (27), o Nepal contabiliza 359 óbitos, enquanto o Tibete registrou outras três vítimas fatais. As equipes de resgate enfrentam condições extremas para localizar os mais de 1,3 mil desaparecidos, dos quais 826 são do Nepal e 558 do território chinês. O desastre começou na quarta-feira (26), quando a ruptura da geleira — possivelmente provocada por mudanças climáticas ou instabilidade geológica — liberou uma massa de água e lama que percorreu dezenas de quilômetros, arrasando tudo em seu caminho. Inicialmente, autoridades suspeitaram de um terremoto de magnitude 4,4 como causa, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) descartou essa hipótese, confirmando que o evento foi desencadeado pelo colapso glacial. Especialistas classificam o fenômeno como uma avalanche de origem glacial, um tipo de desastre raro, mas cada vez mais frequente em regiões de alta montanha devido ao aquecimento global. A destruição da infraestrutura agrava a crise: cerca de 40 quilômetros de estradas foram danificados e dezenas de pontes foram arrastadas pela correnteza, isolando comunidades e impedindo o acesso de socorristas. Até o momento, o Exército nepalês resgatou mais de 100 pessoas por via aérea, enquanto dezenas de feridos foram transferidos para hospitais em Kathmandu. No entanto, a prioridade agora é evitar um novo desastre: um lago formado pelo bloqueio de um rio ameaça romper a barreira natural, o que poderia liberar uma segunda onda de água e detritos, colocando em risco moradores e equipes de resgate. A dimensão total da tragédia ainda não foi totalmente mapeada. Autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar à medida que as buscas avançam em áreas cobertas por lama e escombros. Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros, incluindo turistas e peregrinos que se dirigiam ao Monte Kailash, um dos locais mais sagrados do budismo e hinduísmo. A comunidade internacional já se mobiliza para prestar apoio, mas a magnitude do evento supera a capacidade local de resposta, expondo a vulnerabilidade de regiões montanhosas frente às mudanças climáticas.
Redação Jornal Voz do Litoral
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