O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, comunicou que deixará a sociedade do Instituto Inter, entidade que ele fundou para oferecer cursos jurídicos e de aperfeiçoamento pessoal. A iniciativa, criada com a proposta de se transformar em uma organização sem fins lucrativos, tem sido alvo de questionamentos acerca de contratos públicos firmados nos últimos anos. Em nota, o magistrado afirmou que cedeu a totalidade de suas cotas, bem como as de sua esposa, sem receber qualquer contrapartida financeira, e que os valores correspondentes permanecerão integralmente destinados a fins sociais e educacionais. Mendonça destacou que nunca obteve lucro com o instituto e que a decisão foi tomada em conversa com o presidente da entidade, Victor Godoy, ao qual continuará prestando serviços como professor. A controvérsia ganhou maior visibilidade após o ministro solicitar que um relatório da Polícia Federal, que aponta suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, fosse levado ao plenário da Suprema Corte. Críticos apontaram que o Instituto Inter mantém contratos com a iniciativa pública, gerando desconforto ao magistrado. Essa saída se insere em um cenário de tensão institucional, já que o embate entre Mendonça e Moraes se intensificou desde a divulgação do relatório, cujas informações têm sido vazadas. O presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, interveio para tentar conter os ânimos e impedir que a disputa prejudique a imagem do Poder Judiciário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também solicitou que os ministros encontrem uma solução interna que não contamine o processo eleitoral deste ano. Até o momento, não há esclarecimentos oficiais sobre os próximos passos da entidade nem sobre quem assumirá a gestão após a saída de Mendonça.
Redação Jornal Voz do Litoral
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