AfD lidera pesquisas para eleição estadual na Alemanha

Eleitores do estado da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, vão às urnas neste domingo (6) em uma disputa estadual que pode marcar uma virada histórica no cenário político do país. O partido de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) tenta alcançar o poder regional pela primeira vez, liderando as pesquisas de intenção de voto com mais de 40%. A disputa é classificada pelo primeiro-ministro estadual Sven Schulze, da União Democrático-Cristã (CDU), como uma decisão determinante para os rumos políticos de toda a nação alemã. Fundado em 2013 no oeste alemão no contexto da crise da dívida da zona do euro, o AfD expandiu gradualmente sua base eleitoral, consolidando forte apoio nos antigos estados comunistas do leste. Na região, levantamentos indicam a permanência de um sentimento de insatisfação em relação aos resultados do processo de reunificação ocorrido em 1990. Atualmente, as sondagens na Saxônia-Anhalt colocam a legenda entre 15 e 20 pontos percentuais à frente da conservadora CDU, que governa o estado em uma coalizão tripartite com os social-democratas (SPD) e os liberais (FDP). O avanço reflete também o desgaste com o governo do chanceler federal Friedrich Merz em Berlim. Sob a liderança local de Ulrich Siegmund, de 35 anos, o partido concentrou a campanha em pautas anti-imigração, no restabelecimento de relações com a Rússia e na saída da Alemanha da zona do euro. Apesar do favoritismo nas urnas, a formação de um governo do AfD enfrenta barreira direta das outras forças políticas. Classificada pelo serviço de inteligência interna regional como uma organização extremista de direita, a legenda é alvo de rejeição formal pela maioria dos partidos, que se recusam a compor alianças. Isso abre caminho para que a CDU busque articulações alternativas para manter a gestão estadual, isolando o vencedor da votação. A votação na Saxônia-Anhalt é vista pela direção do AfD como um divisor de águas e um ponto de partida para o calendário eleitoral no nordeste do país, que inclui disputas em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e em Berlim. O resultado das urnas explicitará o tamanho real do isolamento político frente à capacidade do eleitorado de impor mudanças na composição do poder regional.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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