Afastamento de Andrei Rodrigues amplia pressão sobre Alcolumbre

Na tarde da terça‑feira (8), o afastamento do diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, intensificou a pressão política sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), conforme avaliação do analista de política da CNN, Pedro Venceslau, ao programa CNN 360°. A oposição respondeu com uma ofensiva que incluiu pedidos formais contra Rodrigues direcionados à Justiça Federal, à própria Polícia Federal, à Presidência da República, à Procuradoria‑Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal. Venceslau destacou que Alcolumbre tem “entrado cada vez mais no radar da oposição e dos bolsonaristas”. Essa percepção se reforçou nas manifestações do 7 de setembro na Avenida Paulista e em outras cidades, onde faixas e cartazes exigiam a abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. O analista apontou ainda que, quando ex‑ministros do STF emitem manifestos críticos, o clima político se torna ainda mais carregado, oferecendo munição a senadores que defendem posições mais incisivas. A pressão sobre Alcolumbre não se limita ao campo bolsonarista. Segundo Venceslau, mais de cem pedidos de impeachment contra Moraes foram acumulados, número que ele classifica como incomum, já que costuma‑se registrar pedidos contra ministros do STF, mas nunca em tal quantidade. O presidente do Senado, por sua vez, tem demonstrado resistência e não sinalizou disposição para abrir qualquer processo de impeachment, apesar da crescente demanda. Paralelamente, o senador Carlos Viana (PSD‑MG) apresentou requerimento ao Conselho de Ética do Senado pedindo o afastamento de Alcolumbre, somando‑se a outros requerimentos no mesmo colegiado. O Conselho de Ética permanece inativo desde 2024, situação que a analista Edilene Lopes atribuiu à falta de articulação entre as bancadas, conforme intimado pela ministra Carmen Lúcia. Viana oficiou a mesa do Senado solicitando informações sobre a composição do colegiado e os motivos da paralisação, com o objetivo de avaliar a conduta de Alcolumbre por não encaminhar os pedidos de impeachment contra Moraes. Fontes ligadas ao ministro da Justiça, André Mendonça, indicaram que, após o afastamento de Rodrigues, o próximo alvo da pressão poderia ser o próprio Alcolumbre. A conjuntura revela um cenário de intensas disputas institucionais, com o Senado sob escrutínio por sua inércia e a falta de respostas claras sobre o funcionamento do Conselho de Ética. Enquanto a oposição acumula pedidos e manifestações, permanecem sem resposta oficial os motivos da paralisação do órgão de controle e a estratégia do presidente do Senado diante da crescente demanda por impeachment.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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