Na terça‑feira (8), a seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB‑DF) iniciou um procedimento ético‑disciplinar contra o escritório Barci e Barci Sociedade de Advogados. A decisão foi tomada pelo presidente da entidade, Paulo Maurício Siqueira, conhecido como Poli, após ouvir a diretoria em sessão extraordinária do Conselho Pleno. O fundamento apontado foi a existência de “fatos recentemente tornados públicos e constantes de relatório da Polícia Federal”, baseados nos dados do celular do ex‑dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) registra como sócios do Barci e Barci Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes; Giuliana Barci de Moraes e Alexandre Barci de Moraes, filhos do casal; Ana Claudia Consani de Moraes, cunhada de Moraes; e Fernanda Ghiuro Valentini Fritoli. O procedimento também inclui o advogado Ciro Soares, apontado em relatório da PF, divulgado pelo ministro André Mendonça, como intermediário nas comunicações entre Vorcaro e o procurador‑Geral da República, Paulo Gonet. Durante a sessão, Poli ressaltou que caberá ao Tribunal de Ética analisar os “fatos graves” trazidos no relatório da Polícia Federal. Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que a OAB‑DF está utilizando, em “contexto eleitoral”, questões já analisadas e arquivadas pela Procuradoria‑Geral da República (PGR). O texto da nota pede ao presidente da OAB‑DF que reveja suas declarações e evite a adoção de medidas cabíveis. A OAB‑DF, por sua vez, garantiu que o procedimento observará todas as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, concedendo oportunidade para demonstração dos serviços prestados e da regularidade da contratação. Todos os processos tramitam em sigilo e não há prazo definido para a decisão final. A abertura do processo, sem divulgação de detalhes ou cronograma, deixa em aberto como serão assegurados os princípios de transparência e responsabilidade, sobretudo diante da ligação dos sócios com o ministro da Suprema Corte. A falta de prazo e a confidencialidade total levantam dúvidas sobre a efetividade da apuração e sobre quem responderá pelos eventuais desdobramentos.
Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

