A Polícia Federal divulgou, na noite de quinta‑feira (10), documentos que comprovam a manipulação de atos oficiais do Banco Central por Paulo Sérgio Neves de Souza, ex‑chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). Segundo o relatório da PF, o servidor atuou como “consultor estratégico informal” do Banco Master, alterando minutas antes de serem protocoladas para garantir resultados favoráveis ao grupo de Daniel Bueno Vorcaro, contrariando suas funções públicas. O caso surge no âmbito da Operação Compliance Zero, que investigou práticas ilícitas envolvendo o Banco Master e resultou na prisão de Daniel Vorcaro em março. A investigação da PF apontou que Paulo Sérgio, enquanto ocupava cargo no Desup, deliberadamente favoreceu interesses privados, sugerindo mudanças em documentos oficiais do banco. O objetivo, conforme a PF, era assegurar benefícios ao Banco Master, instituição controlada por Vorcaro. A revelação dos documentos ocorreu após o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, atender a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e derrubar o sigilo da apuração. Fachin justificou a medida como necessária para tornar pública a investigação que culminou na prisão de Vorcaro, limitando o sigilo apenas às diligências imprescindíveis. A ordem foi emitida “de ofício”, sem solicitação de partes interessadas, reforçando a independência da decisão judicial. Até o fechamento desta matéria, o Banco Central não se pronunciou sobre as supostas alterações nas minutas, nem esclareceu a extensão da participação de outros agentes. A PF também não identificou outros responsáveis pela manipulação. Permanecem dúvidas sobre quem responderá pelos atos que podem ter comprometido a lisura do processo regulatório bancário.
Redação Jornal Voz do Litoral
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