No fim de julho, a defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, acesso ao processo que investiga o caso Dark Horse, referente ao filme sobre a trajetória política de seu pai, Jair Bolsonaro. Vinte e quatro dias depois, ao ser questionado pela CNN Brasil, Flávio descreveu a controvérsia como “página virada”. Na sexta‑feira 11, após decisão do presidente da Corte, Edson Fachin, de levantar o sigilo de todo o processo ligado ao caso Master, o STF divulgou documentos que confirmam o pedido da defesa. Entre os documentos, destaca‑se um áudio gravado em maio, no qual Flávio conversa com o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro sobre o repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme. O áudio revela a preocupação de Flávio com possíveis calotes a atores internacionais, como Jim Caviezel e Cyrus. Além disso, os documentos mostram que, entre fevereiro e maio de 2025, foram efetuados pelo menos US$ 10,6 milhões – cerca de R$ 61 milhões – em seis transferências bancárias para o projeto. A Polícia Federal, ao analisar trechos do processo divulgados na quinta‑feira 10, apontou que Flávio Bolsonaro atuou como “interlocutor direto” de Vorcaro nas tratativas, participando de cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das gravações. As informações foram fornecidas pelos repórteres Guilherme Rajão e Luciana Amaral, da CNN Brasil. Apesar da revelação dos documentos e da identificação do senador como agente ativo nas negociações, não há registro de respostas oficiais da defesa ou de esclarecimentos sobre a origem dos recursos. A falta de posicionamento deixa em aberto questões sobre a legalidade das transferências e o papel de Flávio Bolsonaro no financiamento da produção cinematográfica, que ainda não teve sua conclusão confirmada.
Redação Jornal Voz do Litoral
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