A extrema‑direita Alternativa para a Alemanha (AfD) revelou nesta quinta‑feira (10) os 39 deputados eleitos na Saxônia‑Anhalt, logo após a vitória histórica nas urnas de domingo (6). O anúncio foi feito por Ulrich Siegmund, principal candidato do partido, ao lado dos copresidentes Alice Weidel e Tino Chrupalla, em Magdeburgo. A bancada inclui figuras cujos históricos geram controvérsia e levantam dúvidas sobre a futura composição do parlamento estadual. A eleição estadual concedeu à AfD cerca de 44% dos votos, marcando a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que um partido de extrema direita se aproxima de assumir o governo de um estado alemão. Embora o resultado não garanta a maioria absoluta, ele coloca o partido em posição de influência decisiva na formação da coalizão. O próprio Siegmund, ao ser questionado sobre os parlamentares investigados, descreveu-os como “os caras maus” e sugeriu aguardar os desdobramentos das investigações. Entre os eleitos, destaca‑se um ex‑agente da Stasi de 78 anos, que admitiu ter trabalhado para o Ministério da Segurança da antiga Alemanha Oriental, monitorando cidadãos que tentavam deixar o país. Grupos de vítimas da ditadura criticaram sua presença no parlamento. Outro deputado foi condenado por furtar grandes quantidades de roupas de cama de um hotel, trabalhou como ator em filmes pornográficos e foi expulso de uma universidade após falsificar o certificado de conclusão do ensino médio; ele afirma ter sido readmitido após recurso. Além deles, dois parlamentares são investigados por suposta tentativa de manter as atividades da Artgemeinschaft, organização extremista de direita proibida pelas autoridades alemãs; ambos negam as acusações. A presença desses perfis no legislativo estadual levanta questões sobre a capacidade da AfD de cumprir exigências legais e éticas, bem como sobre a resposta das instituições de controle. Até o momento, as autoridades não esclareceram como as investigações poderão influenciar a atuação dos novos deputados nem quais medidas serão adotadas para garantir a integridade do processo legislativo. O futuro da coalizão permanece incerto, e a sociedade civil acompanha de perto os desdobramentos.
Redação Jornal Voz do Litoral
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