PF solicita autorização para acessar pagamentos de Vorcaro

Em março de 2024, a Polícia Federal enviou ofício ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, solicitando que ele autorize o acesso da corporação aos pagamentos realizados por Daniel Vorcaro, sócio do Banco Master, a pessoas que gozam de foro privilegiado. O pedido, assinado por um dos delegados responsáveis pela investigação do chamado Caso Master, ainda não recebeu resposta do ministro. Na mesma solicitação, a PF requereu ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a disponibilização dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) referentes às pessoas investigadas, a fim de rastrear possíveis fluxos de dinheiro ilícito. O Coaf, ao analisar os relatórios, identificou pagamentos a indivíduos com foro privilegiado e informou que só poderia repassar tais dados mediante autorização expressa do STF, justificando a cautela com base nas regras de competência jurisdicional. Diante disso, a PF pediu que o ministro interceda junto ao Coaf, argumentando que a investigação criminal já tramita no Supremo e que, portanto, cabe ao magistrado supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a informações sigilosas. Entre os documentos anexados ao processo, constam pagamentos que totalizam mais de R$ 57 milhões destinados à Igreja Batista da Lagoinha, realizados entre dezembro de 2024 e 2025. A instituição já foi alvo de apuração na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS e está sob suspeita de desvio de emendas parlamentares; Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, exercia a função de pastor na igreja. O relatório também revela um repasse de R$ 22 mil a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, descrito como um dos capangas de Vorcaro, responsável por monitoramento e coação. Até o momento, não há registro de que o ministro André Mendonça tenha se manifestado sobre o pedido. A ausência de autorização impede que a PF obtenha os dados completos do Coaf, limitando o avanço da investigação criminal. A falta de resposta deixa em aberto quem será responsável por autorizar o acesso às informações e quais serão os próximos passos para esclarecer os supostos fluxos de recursos ilícitos envolvendo figuras com foro privilegiado.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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