A poucos dias das eleições de 2026, Leonardo Trevisan, historiador e professor de Relações Internacionais da ESPM, declarou que o eleitorado brasileiro está apático, resultando em milhões de cidadãos sem representação. Em entrevista ao WW Especial, ele afirmou que “os velhinhos do Supremo ocuparam todo o espaço”, indicando que a crise institucional tem ofuscado o debate eleitoral.
Nas últimas semanas, a crise no Supremo Tribunal Federal dominou a agenda em Brasília e no resto do país. Trocas de acusações entre ministros, revelações de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex‑dono do Banco Master, e as crescentes tensões institucionais colocaram as eleições em segundo plano. Segundo pesquisa da Quaest, a desconfiança dos brasileiros na Corte aumentou dez pontos percentuais.
O cenário se reflete nas redes sociais, onde um levantamento do colunista Renato Dolci identificou 8,9 milhões de posts críticos aos magistrados. Trevisan apontou ainda um patrimonialismo que beneficia filhos e cônjuges de juízes, citando cifras de 500 mil, 300 mil e 3 milhões de reais. Ele lembra que, no início do século XXI, 108 milhões de brasileiros da Classe C viviam otimismo impulsionado pelo Plano Real, Bolsa Família e expansão de crédito, mas a crise de 2014 interrompeu essa percepção, gerando frustração.
A falta de respostas oficiais sobre o impacto da crise institucional mantém os eleitores afastados da política. Enquanto a apatia se consolida, permanece incerta a estratégia para reconquistar a confiança da população nas urnas.
Redação Jornal Voz do Litoral
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