A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quarta‑feira (23) durante discurso na Assembleia Geral da ONU que o país realizará eleições para escolher um novo presidente, porém não informou quando a votação ocorrerá.
Rodríguez afirmou que o governo venezuelano iniciou um diálogo com a oposição e que as instituições estarão prontas para conduzir um processo de transição “ordenado, institucional e verificável”. Ela ressaltou que a Venezuela busca reconstruir laços com os Estados Unidos e demais países da região, agradecendo a Donald Trump por “retomar relações diplomáticas”. No discurso, não mencionou Nicolás Maduro, cujo nome ficou ausente apesar de sua captura por forças americanas em janeiro.
A presidente interina descreveu a transição como um momento para “conduzir a Venezuela da incerteza e do conflito para uma democracia plena, reconhecida pelo seu próprio povo e pelo mundo”. Declarou ainda que a recuperação do país “levará tempo” e que o setor de energia, a segurança e o combate ao crime transnacional são prioridades na nova agenda de cooperação. Em agosto, representantes do governo venezuelano se reuniram com integrantes da oposição em conversas apoiadas pelos Estados Unidos, com o secretário de Estado americano Marco Rubio indicando que a Assembleia Nacional de 2015 mantém diálogos regulares com autoridades interinas.
Apesar das declarações, permanecem ausentes detalhes essenciais: não há cronograma eleitoral, nem mecanismos de garantia de eleições livres e justas, e a ausência de referência a Maduro gera dúvidas sobre a real extensão da transição anunciada. A comunidade internacional e a oposição aguardam respostas concretas sobre datas, regras de participação e supervisão internacional, sem as quais a promessa de democracia permanece indefinida.
Redação Jornal Voz do Litoral
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