No dia 16, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual pela quinta vez consecutiva, fixando-a em 13,75% ao ano. André Cury, recém‑nomeado CEO do Citi no Brasil, afirmou em entrevista ao CNN Money que a normalização das taxas de juros deve demorar mais do que se previa inicialmente.
A taxa básica de juros permanece em dois dígitos há mais de quatro anos, e, mesmo após o último corte, o Brasil conserva a maior taxa de juros reais do mundo, quando descontada a inflação. Cury apontou a inflação elevada como o principal desafio para o país e para a economia global. Até janeiro, a mediana das projeções do Sistema de Expectativas de Mercado situava a Selic pouco acima de 12% ao final do ano, mas essas estimativas se deterioraram em abril e maio, impulsionadas pelos temores inflacionários decorrentes do choque energético provocado pela guerra entre Estados Unidos e Irã.
Com a decisão do Copom, analistas revisaram seus cálculos e o boletim Focus passou a considerar a possibilidade de mais um corte até o final de 2026. Cury, apesar da cautela sobre a velocidade da redução, destacou que o empresariado brasileiro é “muito resiliente, muito sofisticado” e que o setor vê oportunidades nas indústrias digitais, na inteligência artificial, nos minerais críticos e na infraestrutura. Ele ainda descreveu o futuro como “muito brilhante” para o mercado nacional, sem, porém, especificar quando novos cortes poderiam ocorrer.
Assim, embora a expectativa de queda da Selic tenha sido renovada, a falta de um cronograma concreto deixa investidores e consumidores em dúvida sobre quando a taxa real deixará de ser a mais alta do globo. Até o momento, nem o Banco Central nem o Citi apresentaram um horizonte temporal definido para a próxima redução, mantendo a incerteza sobre os efeitos de longo prazo na economia brasileira.
Redação Jornal Voz do Litoral
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