Brasil busca data centers enquanto Estados Unidos enfrentam rejeição

Planos de governo dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas para a Presidência da República incluem propostas para atrair a construção de data centers no Brasil. As propostas envolvem a concessão de incentivos fiscais, o incentivo à fabricação local de componentes e o desenvolvimento de inteligências artificiais nacionais. A articulação política ocorre no momento em que os Estados Unidos enfrentam forte rejeição popular e protestos contra a expansão desenfreada dessas estruturas em seu território.

Atualmente, o Brasil ocupa a 12ª posição no ranking global de infraestrutura de dados, somando 218 complexos operacionais, enquanto os Estados Unidos lideram o setor com mais de 4,7 mil unidades. Essa limitação estrutural força o país a processar e armazenar volumes massivos de dados no exterior, o que resultou em um déficit de US$ 8 bilhões na balança comercial de Serviços de Computação e Informação ao final de 2025, segundo dados da Brasscom.

Além do déficit financeiro, a grande divergência entre as duas nações reside no impacto ambiental e na matriz energética utilizada. Nos Estados Unidos, a dependência de combustíveis fósseis faz com que a expansão dos data centers pressione as redes de energia e encareça as tarifas locais, gerando resistência em 64% da população, conforme levantamento Reuters/Ipsos. Já no Brasil, a eletricidade provém majoritariamente de fontes renováveis, como usinas hidrelétricas, solares e eólicas. Contudo, o consumo intensivo de água e energia por essas instalações já acendeu alertas entre autoridades brasileiras e especialistas.

Especialistas em computação sustentável apontam que o crescimento do setor exige mecanismos rígidos de regulação socioambiental para evitar que o Brasil reproduza os gargalos enfrentados no exterior. O instrumento em discussão para mitigar tais impactos é o regime Redata, que prevê desonerações tributárias mediante contrapartidas ambientais obrigatórias. Permanecem em debate os critérios e limites regulatórios que serão aplicados para impedir o encarecimento da energia e a sobrecarga dos recursos hídricos nas regiões impactadas.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

Presidenciáveis concentram 62% das agendas no Sudeste

TSE permite download do e‑Título no dia da votação