Especialista alerta para risco de IA na eleição após

O estrategista político Marcelo Senise, a principal ameaça representada por essas ferramentas é a capacidade de interferir na percepção que os eleitores têm da opinião pública

O estrategista político Marcelo Senise, a principal ameaça representada por essas ferramentas é a capacidade de interferir na percepção que os eleitores têm da opinião pública

A revelação de que Flávio Bolsonaro , candidato do PL à Presidência , teria pago cerca de 600 mil reais à Elytron, empresa de cibersegurança que ofereceu no Estados Unidos um sistema de inteligência artificial para manipulação política clandestina, demanda apuração mais aprofundada, diz o estrategista político Marcelo Senise.

Segundo documentos obtidos pelo Intercept Brasil a ferramenta é capaz de cruzar dados, segmentar eleitores e executar ações como disseminar rumores, criar perfis falsos e desacreditar adversários. A própria empresa admite em seu site o uso de conteúdos gerados por inteligência artificial, incluindo deepfakes , e técnicas de infiltração em redes de opositores.

Para Senise, que também preside o Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial (IRIA), a estrutura descrita na reportagem tem potencial de “identificar vulnerabilidades comportamentais, construir ambientes artificiais de opinião e interferir na maneira como as pessoas percebem a realidade política”. É mais sofisticado que a mera disseminação de notícias falsas, diz.

De acordo com o pesquisador, a principal ameaça representada por essas ferramentas é a capacidade de interferir na percepção que os eleitores têm da opinião pública . Sistemas automatizados podem direcionar mensagens a grupos específicos e simular manifestações de apoio, criando a impressão de que determinada posição política é mais popular do que realmente é.

“Imagine um eleitor que começa a receber determinadas narrativas, encontra opiniões semelhantes em diferentes perfis, percebe um aparente consenso nos comentários e passa a acreditar que aquela interpretação representa o pensamento predominante da sociedade”, explica Senise. “Se parte dessas interações foi produzida artificialmente, não estamos diante de uma manifestação espontânea da opinião pública, mas de uma possível encenação tecnológica do consenso”.

Senise pondera, contudo, que o uso da inteligência artificial na comunicação política não é, por si só, irregular. O monitoramento de redes sociais, a análise de sentimentos e a segmentação de públicos são práticas comuns em campanha

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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