Em 1º de novembro de 2024, um quadricóptero israelense sobrevoou o bairro de Jabalya, no norte da Faixa de Gaza, e detonou uma explosão que destruiu completamente a casa da família Shalayel. Mohammad Yousef Shalayel, que estava na residência dos sogros com esposa e filhos, sobreviveu ao ataque, mas viu a casa desabar em quatro andares, deixando sua mãe idosa, dois irmãos, uma irmã, filhos e parentes presos nos escombros.
O ataque ocorreu quase dois anos após o início da ofensiva israelense que se seguiu ao ataque de Hamas em 7 de outubro de 2023. Segundo o Ministério da Saúde palestino, mais de 74 mil pessoas já foram mortas no enclave costeiro, enquanto a Defesa Civil de Gaza estima que cerca de 8 mil pessoas permanecem desaparecidas, muitas provavelmente soterradas sob os 61 milhões de toneladas de destroços que as Nações Unidas calcularam terem se acumulado no último ano.
Desde o ataque de 2024, as forças militares israelenses ocupam mais da metade do território devastado, dificultando as operações de busca e recuperação. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha, representado por Pat Griffiths, alerta que a cada dia que passa diminuem as chances de identificar os mortos, pois provas cruciais são perdidas. O direito internacional humanitário impõe às partes em conflito a obrigação de realizar trabalhos de busca e recuperação, mas a continuidade dos combates impede a execução dessas medidas.
Quase todos os familiares de Shalayel continuam desaparecidos, e a população de Gaza relata viver sob um conflito sem perspectiva clara de cessar-fogo. A falta de acesso às áreas devastadas deixa milhares de famílias sem respostas sobre o destino de seus entes queridos, mantendo a crise humanitária em estado de agravamento.
Redação Jornal Voz do Litoral
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