
O Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), sediado em Manaus (AM), condecorou um empresário local denunciado por pedofilia, que chegou a ter gravações de áudio agenciando menores de idade exibidas no programa “Fantástico”, da TV Globo.
Waldery Areosa Ferreira é dono de um dos principais grupos do setor educacional em Manaus. Em novembro de 2012, ele foi alvo da Operação Estocolmo, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas para combater a exploração sexual de menores.
Mesmo assim, em novembro passado, o TRT-11 concedeu a Medalha de Honra ao Mérito Judiciário a ele e à reitora de uma universidade do seu grupo. A homenagem foi entregue pela desembargadora Ruth Barbosa Sampaio.
Em publicação no Instagram, a universidade afirmou que a honraria é a “mais alta concedida” pelo TRT. “A Medalha de Honra ao Mérito Judiciário foi outorgada em reconhecimento à destacada atuação de ambos na disseminação da educação e na prestação de serviços de excelência na área educacional no estado do Amazonas”, diz a postagem.
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Uma publicação compartilhada por CIESA da Graduação ao Pós-doutorado (@ciesamanaus)
Em 2014, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) aceitou denúncia contra Waldery Areosa e outras 19 pessoas. O caso ficou parado por anos e, em dezembro de 2023, a juíza Dinah Câmara Fernandes declarou extinta a punibilidade de Waldery Areosa, por considerar que os crimes estavam prescritos.
“A prescrição corresponde à perda do direito de punir pela inércia do Estado, que não o exercitou dentro do lapso temporal previamente fixado”, escreveu a magistrada em trecho da decisão, reproduzido pela imprensa local. Ao reconhecer a prescrição, a juíza ressaltou que não cabia analisar a culpa ou inocência de Waldery Areosa e dos demais denunciados.
A coluna procurou Waldery Areosa, o TRT-11 e a desembargadora Ruth Barbosa Sampaio para comentários, mas não obteve resposta até o momento. O espaço segue aberto.