O que é a TV 3.0, como vai mudar a forma de ver televisão… e a que preço

Presidente Lula e autoridades do governo durante cerimônia de lançamento da TV 3.0

Presidente Lula e autoridades do governo durante cerimônia de lançamento da TV 3.0. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou na quarta-feira (27) o decreto que regulamenta a TV 3.0, também denominada DTV+. A expectativa é de que a tecnologia comece a operar no primeiro semestre de 2026 nas grandes capitais, em tempo para a Copa do Mundo.

A medida oficializa um novo modelo de TV aberta para o país, uma evolução da atual TV digital, implementada em 2007. O modelo promete integrar os serviços de internet aos de transmissão de som e imagem televisivos, fazendo com que se assemelhe a um smartphone.

Deste modo, os canais abertos passam a se assemelhar a aplicativos interativos, como Instagram, Facebook, X, com possibilidade para publicidade personalizada, compras e votações em tempo real.

Os telespectadores ainda poderão escolher o tamanho das legendas, definir se querem tradução em libras, entre outras utilidades. Além dessas inovações, a TV 3.0 também promete mais qualidade de som e imagem.

Com essas utilidades, a TV 3.0 tem o potencial de reverter às transmissoras parte do fluxo de verbas publicitárias que tem sido destinado às redes sociais e à internet (leia mais adiante).

Tecnologia promete experiência semelhante à de um smartphone

A TV 3.0 terá imagens com qualidade 4K, podendo chegar a 8K, som imersivo de padrão cinematográfico e uma conexão expandida com a internet. O número de cores disponíveis na tela aumentará de 16 milhões para 1 bilhão.

A interatividade será um ponto central do novo sistema. Será possível, por exemplo, fazer compras de produtos diretamente pela tela, um recurso hoje comum em redes sociais como Kwai e TikTok. Em transmissões esportivas ou reality shows, o espectador poderá escolher ângulos de câmera, votar em participantes, acessar estatísticas ou rever lances polêmicos.

Embora a conexão com a internet aprimore a experiência, ela não será obrigatória para garantir a qualidade de imagem e som da TV 3.0 e nem a interatividade.

A tecnologia também traz aprimoramentos em acessibilidade. Serão oferecidas legendas configuráveis, audiodescrição e um gerador automático de libras, incluindo a exibição de intérpretes em tempo real. Além disso, a TV 3.0 permitirá a reorganização dos canais em aplicativos, assemelhando a navegação à das plataformas de streaming.

Smart TVs precisarão de conversores para o novo modelo

Atualmente, o Brasil possui cerca de 90 milhões de televisores, dos quais 60% são Smart TVs, mas esses aparelhos não são compatíveis com a nova tecnologia. Para acessar as novas funcionalidades, o telespectador precisará adquirir um conversor ou um novo televisor já compatível com a tecnologia.

O governo estima que o conversor custará de R$ 300 a R$ 350 inicialmente. Há estudos em andamento para auxiliar famílias de baixa renda na aquisição desses aparelhos.

Plataforma digital vai integrar serviços do governo

O decreto que estabeleceu a TV 3.0 adota a tecnologia de transmissão ATSC 3.0, um padrão global recomendado pelo Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD).

Além disso, a medida também prevê a criação da Plataforma Comum de Comunicação Pública e Governo Digital, que integrará conteúdos governamentais e serviços públicos à TV 3.0. Desse modo, por exemplo, as pessoas poderão acessar serviços como o gov.br pela TV.

Prazo total de transição é de 15 anos

Durante a assinatura do decreto, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, garantiu a gratuidade dos serviços. “A televisão vai continuar gratuita, como o brasileiro já conhece, mas com a conexão à internet”, afirmou.

Até o momento, o governo anunciou R$ 7,5 milhões investidos na primeira fase do projeto da TV 3.0, embora não tenha especificado como os recursos foram utilizados. Ao todo, as estimativas são de até 15 anos para que a tecnologia esteja acessível em todo o território nacional, período em que o modelo atual coexistirá com o novo.

Publicidade na TV pode recuperar força

Uma das possibilidades é que a TV 3.0 atraia parte das verbas publicitárias que migraram para as redes sociais nos últimos anos. Desse modo, o projeto não deixa de ser um contraponto às grandes empresas de tecnologia, como Google e Meta, dona do WhatsApp, Instagram e Facebook.

Marcelo Bechara, diretor de relações institucionais da Globo, afirmou ao Brazil Journal que o aumento da granularidade dos dados de audiência tornará os anúncios mais assertivos, beneficiando tanto grandes quanto pequenos anunciantes regionais. Isso permitirá a criação de novos modelos de negócio e de receita, hoje restritos à internet.

Empresas chinesas de conversores de olho no Brasil

Empresas chinesas já demonstraram interesse em participar do mercado brasileiro de TV 3.0. A fabricante chinesa Hisense, por exemplo, é apontada como uma das principais interessadas em ofertar os conversores necessários para a adaptação ao modelo 3.0 já em 2026.

O setor de transmissão estima um custo de cerca de R$ 11 bilhões para a migração completa para a TV 3.0 ao longo dos próximos 15 anos. Flávio Lara Resende, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), presente à cerimônia de assinatura do decreto, defendeu o apoio governamental para essa transição.

O executivo mencionou à CNN a necessidade de criação de políticas públicas e formas de financiamento, inclusive via BNDES, para auxiliar as emissoras e garantir o acesso da população de menor renda aos novos receptores.

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Fonte: Matéria Original

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Redação

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