Na tarde de 1º de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no Palácio do Planalto. O encontro, que não constava na agenda oficial, foi parte de uma série de conversas que o chefe do Executivo tem mantido com integrantes do STF para entender a crise interna desencadeada pela divulgação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro. As mensagens, tornadas públicas pela imprensa, mostraram Vorcaro expressando gratidão da sua vida a Moraes e, dois dias antes de sua prisão, perguntando se deveria deixar o país diante da possibilidade de operação policial. O conteúdo provocou reclamações de vários ministros do tribunal ao presidente, que consideram a reação do governo insuficiente para conter a turbulência institucional. Na mesma terça‑feira, o ministro André Mendonça, relator do caso Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne as conversas, registros de encontros e outros elementos envolvendo Vorcaro e Moraes. Mendonça afirmou que, independentemente da manifestação da Procuradoria‑Geral da República, o caminho inevitável é levar os novos elementos ao plenário do Supremo, em sessão pública e presencial. A divulgação do relatório aumentou a tensão dentro do STF. Na segunda‑feira (31), Moraes e Mendonça tiveram uma conversa descrita por fontes como direta, dura e ríspida, logo após o relator comunicar que encaminharia o material à PGR. Até o momento, não há indicação de que o presidente tenha anunciado medidas concretas para resolver a disputa entre os ministros. A falta de um posicionamento oficial deixa em aberto como o Executivo pretende intervir na crise judicial e quais serão os próximos passos do STF para tratar os documentos recém‑revelados.
Redação Jornal Voz do Litoral
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