Oito chanceleres de países de maioria muçulmana emitiram uma declaração conjunta condenando os planos israelenses de deslocamento forçado dos palestinos na Faixa de Gaza. O documento, assinado por Turquia, Egito, Indonésia, Jordânia, Paquistão, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, afirma que as falas de ministros israelenses de Segurança Nacional e Defesa sobre mecanismos para remover a população violam o direito internacional e humanitário, alertando para graves consequências caso se tornem políticas oficiais. A declaração também critica a tentativa de aplicar o plano de paz proposto por Donald Trump como solução para o conflito. Segundo o analista Lourival Sant’Anna, a capacidade real desses países de pressionar Israel é bastante reduzida. Ele destaca que, embora os Emirados Árabes Unidos mantenham uma aliança militar recente com Israel, nenhum dos demais possui influência suficiente para gerar um impacto político significativo. Sant’Anna afirma que, historicamente, quando países muçulmanos e árabes exigem determinadas ações de Israel, o Estado israelense costuma reagir no sentido oposto. O analista aponta ainda que apenas os Estados Unidos detêm poder efetivo sobre Israel, pois a maioria das armas sofisticadas – aviões, mísseis e sistemas antimíssil Patriot – são de fabricação americana, conferindo a Washington um veto implícito sobre seu uso. O discurso sobre expulsão dos palestinos também está inserido no contexto eleitoral israelense. Sant’Anna menciona figuras como Itamar Ben‑Gvir, cujos eleitores são colonos judeus, Israel Katz, com apelo ultraconservador, e Bezalel Smotrich, líder dos colonos da Cisjordânia, como responsáveis por alimentar esse tipo de retórica. O analista ressalta a gravidade da situação humanitária em Gaza: a população não tem para onde ir, enfrenta bombardeios intensos e bloqueio que impede a entrada de alimentos, medicamentos, água e a reconstrução de infraestrutura. Apesar da forte condenação internacional, a análise indica que a pressão efetiva sobre Israel permanece limitada, dependente da postura dos Estados Unidos. A falta de respostas claras dos países signatários e a continuidade das restrições humanitárias em Gaza deixam em aberto a eficácia da declaração e a possibilidade de mudança nas políticas israelenses.
Redação Jornal Voz do Litoral
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