Candidatos presidenciais não apresentam propostas fiscais concretas

Candidatos à Presidência do Brasil reiteraram, em entrevistas recentes, a necessidade de ajustar as contas públicas, mas não divulgaram nenhuma medida específica para alcançar esse objetivo, conforme avaliação da economista‑chefe do Inter, Rafaela Vitória. A falta de detalhes ocorre apesar do consenso entre os concorrentes de que a trajetória da dívida pública é insustentável. A relação dívida/PIB avançou de 72% em 2022 para mais de 82% atualmente, com projeções indicando que o indicador encerrará o ano acima de 83%. O déficit nominal acompanha esse cenário, rondando 9% do PIB. O mercado financeiro tem acompanhado o discurso dos candidatos e aguarda posicionamentos claros, mas o debate permanece no campo da retórica. A própria economista destacou que a discussão sobre contenção de gastos costuma ser vista como impopular nas vésperas eleitorais, o que explicaria a ausência de propostas detalhadas. Rafaela Vitória apontou que, embora o prazo para aprovar novas regras seja curto, seria possível adotar medidas de gestão e corrigir irregularidades para conter o crescimento das despesas a partir de 2027. Ela também ressaltou que o atual governo não cumpriu as próprias regras do arcabouço fiscal, que estabelecia um limite de crescimento de despesas de 2,5% acima da inflação ao ano, enquanto o gasto médio ficou próximo de 5%. Para um ajuste efetivo, a economista enfatizou a necessidade de discutir as desvinculações de benefícios sociais e pisos de gastos, já que o aumento das despesas obrigatórias pode consumir todo o gasto discricionário nos próximos três a quatro anos. A lacuna entre o reconhecimento da necessidade de ajuste e a ausência de propostas concretas permanece sem resposta. Até o momento, nenhum candidato detalhou como pretende alinhar a política fiscal ao limite de crescimento estabelecido, nem quem será responsável por conduzir as mudanças estruturais exigidas. A questão que fica em aberto é quem apresentará um plano operacional capaz de reverter a trajetória da dívida e garantir o cumprimento das regras fiscais no futuro próximo.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

Defesa Civil alerta chuva de 70 mm e ventos

Mendonça afasta diretor da PF, agrava crise no STF