Justiça federal torna TH Joias réu em operação

Na quinta‑feira, 10 de julho, a 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) aceitou por unanimidade a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus o ex‑deputado estadual TH Joias (Thiego Raimundo de Oliveira Santos), do MDB‑RJ, e mais cinco acusados. A decisão, tomada com seis votos, inscreve o grupo no processo da Operação Zargun, que investiga um esquema de corrupção, tráfico de drogas e contrabando ligado ao Comando Vermelho. Entre os réus estão Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio”, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (“Dudu”), o ex‑secretário estadual Alessandro Pitombeira Carracena, e o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel, cada um com acusações que variam de organização criminosa majorada a tráfico internacional de armas, contrabando de equipamentos antidrone e corrupção ativa ou passiva. A Operação Zargun aponta para a infiltração de integrantes da facção nas estruturas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e em secretarias estaduais, permitindo o comércio ilegal de armas trazidas do Paraguai e a importação clandestina de bloqueadores de sinal de drone, dispositivos proibidos a civis. O MPF descreve ainda a ocupação de cargos públicos, o vazamento de dados policiais e a facilitação de vantagens ilícitas como parte do modus operandi do grupo. Em agosto, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já havia tornado réus TH Joias, o ex‑presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, entre outros, por obstrução de investigação, acusação que se soma às novas imputações. A denúncia detalha, para cada acusado, o número de crimes atribuídos, como tráfico de drogas (até três vezes para TH Joias), contrabando de equipamentos (onze vezes para vários réus) e corrupção ativa (treze vezes para TH Joias e outros). O portal G1 tentou contato com a defesa, sem sucesso. A Justiça ainda não definiu prazos para julgamento nem esclareceu como foram obtidos os bloqueadores de drone importados ilegalmente. Com a aceitação da denúncia, o processo segue para fase de instrução, mantendo em aberto questões cruciais: a extensão da infiltração nas instituições públicas, os responsáveis pela logística de contrabando e a resposta das autoridades quanto à suposta obstrução de investigações. Até que a corte emita decisões definitivas, permanecem dúvidas sobre a efetividade das medidas de combate à criminalidade organizada dentro do cenário político estadual.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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