Um relatório da Polícia Federal divulgado na noite de quinta-feira revelou que o ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, atuava orientando o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e buscando influenciar decisões internas da autoridade monetária em favor da instituição financeira. A apuração policial aponta indícios de obtenção e repasse de informações confidenciais, além de interferência direta em pautas regulatórias. O sigilo da investigação sobre o Caso Master foi retirado por decisão do Supremo Tribunal Federal, a pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. De acordo com o documento da Polícia Federal, as trocas de mensagens analisadas evidenciam uma relação constante de orientação estratégica entre o servidor público e o banqueiro. Em uma das frentes investigadas, referente a tratativas com o Fundo Garantidor de Créditos, Paulo Sérgio avisou Vorcaro sobre uma reunião com o órgão e sugeriu como o banco deveria ser posicionado caso o tema surgisse na conversa. Além disso, o então servidor do Banco Central formulou recomendações sobre a postura e a governança que Vorcaro deveria adotar em reuniões formais com o então presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto. Os desdobramentos da investigação também expõem interferências diretas na redação de documentos oficiais enviados ao Fundo Garantidor de Créditos. As mensagens mostram que Paulo Sérgio analisou uma proposta encaminhada por Vorcaro envolvendo R$ 5 bilhões e sugeriu a alteração de um parágrafo que mencionava um suposto movimento articulado contra a instituição. O servidor argumentou que o trecho poderia prejudicar a busca por uma solução de mercado, sugestão que foi prontamente aceita e implementada pelo controlador do Banco Master em uma nova versão do ofício. A divulgação do relatório amplia a visibilidade sobre os mecanismos de influência e troca de informações no âmbito da supervisão bancária nacional. Os dados colhidos pela Polícia Federal continuam sob análise no âmbito do processo no Supremo Tribunal Federal, enquanto os desdobramentos do caso seguem sem conclusões definitivas sobre eventuais responsabilizações jurídicas dos envolvidos.
Redação Jornal Voz do Litoral
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