A Polícia Federal, sob autorização do ministro Flávio Dino, executou quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo contra o deputado Cezinha de Madureira, integrante da bancada evangélica. A operação investiga supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares e possível tráfico de influência, além de pedidos pessoais ao Judiciário em favor de partes ligadas ao parlamentar. A decisão que embasou a ação cita ministros do Supremo Tribunal Federal – André Mendonça, Kássio Nunes Marques e Gilmar Mendes – e traz trechos de conversas nas quais Cezinha teria solicitado contato direto com Kássio, marcando vídeo‑chamada para tratar de interesses pessoais. Nos documentos, aparece também Mariângela, funcionária da Câmara identificada como “Tuca”, que teria encaminhado três memorandos nominalmente endereçados aos mesmos ministros. O deputado, que migrou do PSD para o PL no início do ano após articulação de Sóstenes Cavalcante, líder da sigla na Câmara, figura agora no centro de uma investigação que mistura política partidária e supostos favorecimentos judiciais. Dentro da Câmara dos Deputados, a operação foi interpretada por alguns como tentativa de expor ministros do STF às vésperas de uma sessão plenária da Corte. Sóstenes Cavalcante, ao defender Cezinha, criticou duramente Flávio Dino, alegando que o ministro ainda não teria pedido quebra de sigilo ou investigado parlamentares de esquerda, sugerindo perseguição política. Até o momento, nem a Polícia Federal nem os ministros citados responderam oficialmente aos questionamentos suscitados pelos documentos obtidos. A apuração deixa indefinidos os rumos da investigação: não há prazo divulgado para conclusão, nem esclarecimentos sobre eventuais sanções ao parlamentar ou aos servidores da Câmara. A falta de respostas oficiais mantém a população e os analistas políticos em expectativa sobre possíveis desdobramentos institucionais.
Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação


