Rafael Cortez, cientista político professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e consultor da Tendências Consultoria, participou do programa WW Especial da CNN Brasil para analisar o cenário do próximo mandato presidencial. Ele apontou que, apesar da recomposição das forças políticas após as eleições, não há garantia de um ambiente decisório mais favorável. Segundo Cortez, o próximo governo enfrentará dois obstáculos principais: as restrições orçamentárias e a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF).
O especialista ressaltou que, mesmo em períodos considerados normais, a reorganização das forças políticas não costuma se traduzir automaticamente em melhores condições de tomada de decisão. Ele destacou que a legislação orçamentária brasileira apresenta rigidez excessiva e que, para atender demandas específicas, seria necessário que o orçamento retornasse ao azul, permitindo alguma perda de rigidez.
Cortez alertou que, sem alterações nessa estrutura, as mudanças na destinação dos recursos públicos tendem a ser marginais. Além disso, a atuação do STF e as relações entre Executivo e Legislativo podem dificultar a construção de uma agenda de maior alcance, sobretudo diante da instabilidade das coalizões políticas que o futuro presidente terá de gerir.
Em síntese, a análise indica que, a menos que haja flexibilização orçamentária e clareza nas interações com o STF, o próximo governo terá capacidade limitada para direcionar recursos a áreas prioritárias. A questão que permanece sem resposta é quem assumirá a responsabilidade de promover essas mudanças estruturais.
Redação Jornal Voz do Litoral
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