Lobista eleva capital de empresa para R$ 770 milhões

O lobista Julio Cezar Miranda Avelino aumentou o capital social de uma de suas empresas de R$ 10 mil para R$ 770,3 milhões no dia 11 de junho de 2026. A operação financeira foi realizada por meio do uso de direitos creditórios de uma ação judicial contra o Banco do Brasil, que ainda tramita na Justiça de Mato Grosso do Sul sem decisão definitiva.

Avelino é apontado como a pessoa que intermediou a ida do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao Palácio do Planalto em março de 2024. Na ocasião, ambos participaram de uma agenda oficial na Secretaria de Relações Institucionais, comandada à época por Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde. Reportagens veiculadas pela imprensa indicavam que a proposta de delação premiada de Vorcaro citava negociações indevidas na SRI para obtenção de recursos de fundos de pensão de estatais, acusação que foi rebatida por Padilha, embora o ministro não tenha esclarecido sua presença no encontro. A proposta de delação acabou rejeitada pela Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República por falta de provas.

Os registros efetuados na Junta Comercial de São Paulo detalham as transformações na estrutura societária da firma Exclusivo Participações. A sede do empreendimento foi transferida da Zona Oeste da capital paulista para a Avenida Brigadeiro Faria Lima. Além do aporte respaldado pelos créditos judiciais, o negócio deixou de operar como sociedade limitada e passou ao formato de sociedade anônima de capital fechado, sob controle acionário exclusivo e gestão executiva de Avelino. As ações originais da empresa foram repassadas para outra firma do mesmo proprietário, sediada em Anápolis, no estado de Goiás.

A legislação brasileira autoriza a utilização de créditos oriundos de ações pendentes de trânsito em julgado para a elevação de capital social, cabendo às partes envolvidas em eventuais transações comerciais a avaliação sobre a liquidez dos ativos. O desdobramento patrimonial ocorre em meio aos questionamentos políticos sobre a atuação de intermediários em agendas com altas autoridades do governo federal.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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