A taxa de abstenção eleitoral surge como um dos principais fatores de risco para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições. Segundo análise apresentada pelo CEO da empresa de pesquisas Nexus, Marcelo Tokarski, o cenário é agravado pela ausência de disputas para os governos estaduais em 21 estados brasileiros. Essa configuração faz com que os eleitores dessas unidades federativas tenham como único foco o pleito presencial, o que pode desestimular o comparecimento daqueles que rejeitam as duas candidaturas majoritárias.
Os 21 estados que definiram suas disputas governamentais ainda no primeiro turno representam cerca de 92% de todo o eleitorado apto a votar no país. Durante a primeira etapa da votação, o índice de não comparecimento ficou entre 20% e 21%. De acordo com Tokarski, os modelos estatísticos e pesquisas de intenção de voto indicam que o eleitorado de Lula demonstra maior vulnerabilidade aos efeitos da abstenção, o que coloca a campanha do candidato petista em situação desfavorável nesta reta final de disputa eleitoral.
Para tentar reverter a desvantagem indicada pelas pesquisas, nas quais o candidato Flávio Bolsonaro aparece na liderança, a campanha do presidente tem adotado estratégias de maior risco. Entre as ações destacadas está a cobrança pela quebra de sigilo levantada no debate recente e reforçada em ato de campanha realizado em Porto Alegre. Conforme avaliou o executivo da Nexus, a postura ofensiva busca gerar desgaste ao adversário em um momento comparado aos acréscimos de uma partida, no qual a busca por virada exige movimentações mais assertivas na rua e nas redes.
Além da presença nas ruas para engajar a militância e resgatar eleitores faltosos do primeiro turno, o debate promovido pela TV Globo no dia 23 de outubro surge como outro ponto de atenção. Realizado apenas 36 horas antes do início da votação, o confronto só deve alterar significativamente o quadro caso ocorra um desempenho desastroso por parte de um dos concorrentes. O desafio central da candidatura governista segue concentrado na capacidade de transformar o engajamento das redes sociais em votos efetivos nas urnas até o próximo domingo.
Redação Jornal Voz do Litoral
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