Um ataque na cidade de Hebron, na Cisjordânia, que resultou na perda de dois soldados israelenses, alterou o cenário político no país às vésperas das eleições marcadas para a próxima terça-feira (27). O episódio tende a ser capitalizado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que busca utilizar sua pauta histórica de segurança nacional para tentar reverter desvantagens eleitorais.
Segundo avaliação do professor de Relações Internacionais da PUC Minas, Danny Zahreddine, concedida ao programa WW, a ocorrência favorece o atual líder israelense. Embora o ato possa ter sido perpetrado por grupos palestinos para desgastá-lo, o efeito prático fortalece a narrativa do governo. O momento eleitoral é delicado para o premiê, pois o total de cadeiras da oposição, incluindo o grupo de Gadi Eisenkot, supera atualmente a bancada do partido Likud e de seus apoiadores.
Diante desse cenário, Netanyahu tenta reafirmar a imagem de controle e pulso firme na Cisjordânia. O local do evento amplia o impacto político: Hebron é a maior cidade palestina na região, com mais de 250 mil habitantes, e possui relevância religiosa ao abrigar, em espaço compartilhado entre mesquita e sinagoga, os túmulos de figuras como Abraão e Sara.
O especialista pondera que Netanyahu se projeta como a única liderança experiente para enfrentar os conflitos no contexto árabe. Contudo, ações como demolição de casas e expulsão de moradores em Hebron continuam gerando isolamento diplomático para Israel. Zahreddine destacou ainda que, nos dias anteriores à votação, uma eventual guerra com o Irã teria sido travada por Donald Trump.
Redação Jornal Voz do Litoral
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