O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre os discursantes da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, mantendo uma tradição diplomática iniciada na década de 1950. O evento, que reúne representantes dos 193 Estados-membros ao longo de seis dias de trabalhos, tem como segundo orador o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representante do país anfitrião do encontro internacional.
Embora o Brasil tenha ocupado a tribuna de abertura em edições anteriores, a posição como primeiro orador oficial consolidou-se a partir da 10ª sessão, realizada em 1955. Existem diferentes hipóteses para a origem do costume. Entre as explicações ventiladas estão a concessão do posto como compensação pela não inclusão do país no Conselho de Segurança e a busca por uma nação neutra no auge da Guerra Fria para evitar atritos entre Estados Unidos e União Soviética. No entanto, a versão mais difundida pelo setor de protocolo da ONU indica que o Brasil conquistou o direito por se voluntariar para discursar nos primeiros encontros, quando nenhum outro país desejava iniciar os trabalhos.
A ordem do chamado Debate Geral segue regras rígidas de protocolo estabelecidas pela diplomacia internacional. Após a abertura conduzida pelo presidente da Assembleia Geral, os pronunciamentos iniciais cabem ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e à presidente da Assembleia, Annalena Baerbock, seguidos do Brasil e dos Estados Unidos. A sequência subsequente é organizada com base na hierarquia dos representantes enviados pelas delegações, com prioridade para chefes de Estado, seguidos por chefes de governo, ministros e diplomatas de menor escalão, além dos líderes de entidades observadoras, como a Santa Sé, o Estado da Palestina e a União Europeia, que dispõem do limite voluntário de 15 minutos por fala.
Desde a consolidação da norma em 1955, a sequência histórica de pronunciamentos sofreu raras alterações. As exceções ocorreram na 38ª e 39ª sessões, em 1983 e 1984, quando os Estados Unidos discursaram antes do Brasil, além de atrasos de chefes de Estado norte-americanos que reordenaram os debatedores seguintes em 2016, com o Chade, e em 2018, com o Equador ocupando a segunda posição na tribuna.
Redação Jornal Voz do Litoral
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