Duas cadelas, Lolla e Cora, com 1 ano e 4 meses, integram um treinamento pioneiro da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil do Rio para localizar corpos e restos mortais em cemitérios clandestinos. O objetivo é prepará-las para atuar em áreas dominadas por facções narcoterroristas, onde o acesso é difícil e a Polícia Civil, especialmente a Core, atua constantemente. O treinamento, previsto para ser concluído em até dois meses, inclui socialização, detecção de odores e condicionamento físico diário. O treinamento da Core não é novidade: a corporação já utiliza cães farejadores para localizar drogas, armas, munições e explosivos. Atualmente, a Seção de Operações com Cães conta com 15 animais, majoritariamente da raça pastor-belga-malinois. Em um ano, os cães participaram de pelo menos 180 ocorrências. Vandré Nicolau de Souza, responsável pelo treinamento, destacou que os animais precisam estar fisicamente condicionados para executar o trabalho com precisão e rapidez. A nova especialização das cadelas Lolla e Cora mira um problema recorrente em áreas controladas pelo tráfico e milícias: o uso de cemitérios clandestinos para esconder corpos de vítimas. Esses locais, muitas vezes em matas fechadas ou poços abandonados, dificultam o trabalho dos investigadores. Embora cães do Corpo de Bombeiros sejam usados em situações como desabamentos ou enchentes, o treinamento da Core foca na busca por restos mortais relacionados a investigações criminais. Entre os cães que fizeram história na seção está Lord, trazido da Colômbia em 2017. Em 2018, ele participou de uma operação que resultou na apreensão de 1,4 tonelada de cocaína pura, uma das maiores do estado. Gaia, hoje aposentada, ajudou a solucionar um caso de múltiplo homicídio em Saquarema ao encontrar uma arma escondida em um terreno baldio em cerca de 20 minutos. Gaia foi a primeira cadela da seção a receber um elogio registrado em boletim interno da Polícia Civil. Após a conclusão do treinamento, Lolla e Cora deverão ser empregadas em operações da Polícia Civil para indicar aos investigadores onde procurar possíveis vítimas escondidas, ampliando a capacidade da corporação em resolver casos complexos.
Redação Jornal Voz do Litoral
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