China lançou em julho a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, reunindo 29 países, entre eles Rússia, Indonésia e Paquistão. O movimento surge como resposta direta à aliança Pax Silica, criada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no ano passado para reduzir a dependência chinesa nas cadeias de suprimentos de IA. Trump reiterou no início do mês que os Estados Unidos permanecem à frente da China em IA e que quem vencer nessa área “vence” tudo, reforçando a pressão sobre nações para escolherem um lado.
Os Estados Unidos apontam como vantagem óbvia a presença de laboratórios pioneiros, chips de última geração e investidores com recursos amplos. Essa superioridade tecnológica tem sido usada como argumento para convencer governos a aderirem à Pax Silica, que já conta com pouco mais de duas dezenas de países e com a União Europeia. Ao mesmo tempo, a China defende um ecossistema mais aberto, focado em acessibilidade e custos reduzidos, apesar de ainda estar atrás dos EUA em modelos de ponta.
A estratégia chinesa tem atraído desenvolvedores do Sul Global, que consideram modelos de baixo custo, como DeepSeek e Moonshot, mais úteis que sistemas ligeiramente mais robustos que exigem assinaturas caras e acesso a provedores de nuvem estrangeiros. Eric Olander, editor-chefe do The China‑Global South Project, destacou que a proposta chinesa permite baixar, personalizar e executar os modelos gratuitamente, sem as taxas elevadas cobradas por empresas americanas como Anthropic e OpenAI. Durante a cúpula Trump‑Xi desta semana, a IA tornou‑se tema central, e Xi afirmou que a atitude correta é “aproveitar os pontos fortes um do outro, em vez de se protegerem um do outro”.
Apesar da retórica de cooperação, permanecem obscuras as condições de financiamento da nova aliança chinesa e os critérios de adesão. Nenhum dos dois blocos detalhou como pretende garantir que os países não sejam coagidos a escolher um lado, nem quais mecanismos de supervisão global seriam implementados. A falta de transparência deixa dúvidas sobre os rumos da corrida tecnológica e sobre quem, de fato, controlará os padrões futuros da inteligência artificial.
Redação Jornal Voz do Litoral
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