Cid Gomes, senador pelo PSB, concedeu entrevista ao programa CE1 da TV Verdes Mares nesta quarta‑feira (7). Reeleito no último domingo (4) com 31,22% dos votos, ele se tornou o primeiro senador a ser reeleito pelo Ceará desde a redemocratização. Na conversa, o parlamentar abordou desafios para o novo mandato, destacando a estratégia para ampliar a votação do presidente Lula no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, e a proposta de fim da escala de trabalho 6×1.
O senador também comentou a relação com o irmão, Ciro Gomes (PSDB), que após a derrota nas eleições estaduais contra o governador Elmano de Freitas (PT) anunciou intenção de levar o caso à Justiça. Cid afirmou que Ciro tem o “direito de espernear”, citando a expressão jocosa “jus sperniandi”, e sugeriu que teria sido mais elegante reconhecer a vitória e definir uma postura de diálogo ou oposição. Quando indagado sobre retomar a relação política, respondeu que a esfera familiar permanece separada da política, ao mesmo tempo em que criticou as alianças de Ciro com Capitão Wagner (União) e André Fernandes (PL), rotulando o último como “bolsonarista oco”.
Sobre a jornada de trabalho, Cid defendeu a proposta de Emenda à Constituição que visa substituir o regime de seis dias consecutivos de trabalho por dois dias de descanso semanais, sem redução salarial. Ele argumentou que a mudança não comprometeria a atividade econômica, ressaltando diferenças entre as propostas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) e lembrando que o país já passou por jornadas de 48 horas e, atualmente, de 44 horas.
A entrevista deixa em aberto como a estratégia de Lula será efetivamente operacionalizada no Nordeste e quais serão os impactos concretos da PEC da escala 6×1 na economia e nas relações de trabalho. Também permanece incerta a possibilidade de reconciliação política entre os irmãos Gomes, dado o posicionamento crítico de Cid quanto às alianças de Ciro.
Redação Jornal Voz do Litoral
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