Citronela Doc inova com mostras competitivas e masterclass

A 6ª edição do Citronela Doc — Festival de Documentários de Ilhabela chega com novidades que marcam uma virada no evento, tradicionalmente focado em exibições não competitivas. Pela primeira vez, as Mostras Nacional e Regional terão caráter competitivo, com premiações inéditas para os vencedores. O festival, que acontece de 25 a 30 de agosto em Ilhabela (SP), também estreia uma Mostra Internacional em parceria com o renomado Festival Internacional de Cine de Cartagena de Indias (FICCI), na Colômbia, além de uma Mostra Infantil em colaboração com o festival Recria Cine. Todas as atividades são gratuitas. Entre as atrações, destaca-se a masterclass com João Moreira Salles, um dos nomes mais influentes do cinema brasileiro contemporâneo, conhecido por documentários como ‘Santiago’ e ‘Entreatos’. A programação competitiva nacional premiará Melhor Longa-Metragem, Melhor Curta-Metragem e Menção Honrosa, enquanto a Mostra Regional contemplará Melhor Filme Regional e Melhor Filme de Diretor(a) Estreante. Os prêmios incluem o Prêmio Utopia Docs, oferecido pela distribuidora internacional Utopia Docs, e o Prêmio Aquisição todesplay. A seleção de longas-metragens da competição nacional reúne oito obras de sete estados brasileiros e do Distrito Federal, incluindo produções como ‘A Fabulosa Máquina do Tempo’, de Eliza Capa, exibido na Berlinale 2026; ‘Na Passagem do Trópico’, de Francisco Miguez, filmado em Ubatuba; e ‘O Pai e o Pajé’, vencedor do Prêmio Abraccine na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Os curtas-metragens abordam temas como memória, povos indígenas e violência de Estado, com destaque para ‘Escudo’, de Andrey Haag e Cauê Santiago, e ‘Vinte Vinte Quatro’, de Davi Pieri. A Mostra Regional, com direção majoritariamente feminina, evidencia a produção audiovisual do Litoral Norte paulista e do Vale do Paraíba, com filmes como ‘Kaeté’, de Pedro Ciampolini (Ubatuba), e ‘Menina Moça e a Cobra de Duas Cabeças’, de Letícia Andra (São Sebastião). O júri, composto por profissionais como Tatiana Lohmann e Paulina Chamorro, será responsável por definir os vencedores em uma edição que promete ampliar a visibilidade do cinema documental brasileiro e regional. O festival, que já consolidou Ilhabela como polo de cultura audiovisual no Litoral Norte, reforça a importância de espaços gratuitos e acessíveis para a difusão do gênero. No entanto, permanece a dúvida sobre como a iniciativa dialogará com as demandas culturais locais em um município marcado por desigualdades sociais e crises fiscais, como o atraso de R$ 25 milhões em pagamentos a fornecedores e o uso do Fundo Soberano como ‘oxigênio fiscal’.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Ricardo Severino via WhatsApp

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