Crescimento forte gera juros altos e tributação

Na terça‑feira, 1º de maio, Caio Megale, economista‑chefe da XP, afirmou que o forte crescimento da economia brasileira nos últimos anos gerou juros muito altos e tributação elevada e incerta, durante o seminário “Rumos da Economia” do Lide, realizado em São Paulo. O economista destacou que, apesar de o crescimento ter sido importante, ele trouxe efeitos colaterais que agora pressionam as contas públicas. Ele apontou que o consumo foi fraco no segundo trimestre, mesmo com os estímulos econômicos, e que a arrecadação do governo atingiu recorde, porém não resultou em superávit. Ao mesmo tempo, a dívida pública aumentou cerca de quatro pontos percentuais neste ano, evidenciando fragilidade fiscal. Megale ressaltou que o Banco Central deve manter cautela diante dos choques de custos e que os juros devem continuar caindo de forma gradual. Segundo ele, a definição de um cenário fiscal mais claro após a eleição, com o reequilíbrio das contas públicas, poderá abrir mais espaço para a redução dos juros a partir do próximo ano. Essa perspectiva depende da capacidade do governo de transformar o aumento da arrecadação em superávit e de conter o crescimento da dívida. A análise de Megale indica que, embora o crescimento recente tenha impulsionado a arrecadação, a falta de superávit e o aumento da dívida mantêm o país vulnerável a pressões inflacionárias e a custos de financiamento elevados. Sem uma estratégia fiscal definida, o país pode enfrentar dificuldades para reduzir os juros de forma mais agressiva, o que impacta consumidores e investidores. A expectativa de um cenário fiscal mais estável permanece incerta, e a resposta do governo após as próximas eleições será decisiva para o rumo da política monetária.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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