Fantástico enviou a equipe de reportagem, Sonia Bridi e Paulo Zero, ao epicentro da epidemia de ebola na República Democrática do Congo, em Bunia, onde o vírus já matou quase 4 mil pessoas desde maio. O deslocamento foi feito a bordo de avião da ONU, a convite da missão de paz Monusco, já que voos comerciais chegam apenas a Kinshasa.
A doença se espalhou por sete províncias e o número de infectados dobra a cada 20 dias, enquanto conflitos internos deslocam mais de sete milhões de pessoas. O surto ocorre em meio a violência que impede o acesso de organizações humanitárias a áreas remotas, limitando a resposta sanitária.
A variante predominante no atual surto, chamada Budinbugyo, ainda não possui vacina comprovada. A OMS testa vacinas existentes e antivirais para encontrar eficácia contra essa cepa. No centro de tratamento dos Médicos Sem Fronteiras, pacientes ficam em zonas vermelhas com equipe usando macacões, luvas, máscaras e proteção facial. Um menino de sete anos, atendido pelo pediatra holandês Mathias Vermaelen, morreu após receber hidratação intravenosa. Três em cada quatro mortes ocorrem em Bunia e arredores, onde marceneiros passaram a produzir caixões para sepultamentos rápidos coordenados pela Cruz Vermelha.
Apesar do esforço de ONGs e da presença da ONU, a resposta ainda carece de clareza sobre prazos de vacinação e estratégias de contenção. A população local relata medo, mas mantém atividades de mercado com distanciamento limitado. A falta de informações oficiais sobre o cronograma de entrega de vacinas e a eficácia dos protocolos de sepultamento deixa dúvidas sobre a capacidade de conter a propagação do vírus.
Redação Jornal Voz do Litoral
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