A expressão “mar de lama”, que surgiu na política brasileira na década de 1950, voltou ao centro do debate eleitoral ao longo da polarização entre Lula e Bolsonaro. Pesquisas apontam que, para o eleitor, ambos os lados são percebidos como igualmente sujos, formando um único mar de lama que impede a percepção de vantagem decisiva. Esse cenário reforça um padrão de campanha baseado na rejeição: o voto passa a ser guiado pela aversão ao adversário, em vez da avaliação da qualidade dos candidatos. O eleitor escolhe, então, quem considera capaz de impedir a vitória do outro, independentemente de propostas ou histórico. O texto destaca que essa dinâmica, embora lamentável, tem raízes históricas na política nacional. A situação se complica quando instituições como o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal entram em cena. Ambas controlam investigações de alto teor que podem ser aceleradas ou retardadas, influenciando o ritmo da campanha eleitoral. Essa capacidade de interferir nas investigações gera a percepção de que tais órgãos se tornam atores políticos, o que pode minar a confiança pública nas instituições. O artigo conclui que, enquanto o “mar de lama” permanecer como referência na mente dos eleitores, a política continuará marcada por escolhas de rejeição e por um ambiente onde instituições são vistas como parte do jogo eleitoral. O futuro da credibilidade institucional dependerá de respostas que ainda não foram apresentadas.
Redação Jornal Voz do Litoral
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