O governo dos Estados Unidos tem enviado brasileiros deportados para países do continente africano, como Libéria e Guiné Equatorial, sem notificação prévia ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil. As remoções ocorrem no âmbito de acordos em que o governo americano paga milhões de dólares a nações terceiras para receberem imigrantes. Os afetados relatam viagens sob uso de algemas e transferência forçada para locais desconhecidos, após solicitarem asilo na Justiça norte-americana alegando riscos de morte ou perseguição em solo brasileiro. A prática de deportação para terceiros países atingiu quase 25 mil pessoas durante a gestão do ex-presidente Donald Trump. O mecanismo é acionado quando a legislação norte-americana impede que o imigrante seja devolvido ao país de origem devido a alegações formais de ameaça à vida. Desta forma, as autoridades de imigração dos Estados Unidos direcionam os detidos a territórios africanos dispostos a acolhê-los mediante compensação financeira. Muitos dos brasileiros afetados viviam nos Estados Unidos há anos e haviam passado por longos períodos em centros de detenção do Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE, espalhados por diversos estados norte-americanos. Entre os casos relatados está o da mineira Paola Santos, de 21 anos, que permaneceu presa por um ano e três meses antes de ser embarcada algemada em um voo de 16 horas até a Libéria, descobrindo o destino apenas ao desembarcar. Já o pernambucano Pietro Graza de Lima, que alegou perigo de morte no Brasil por haver sofrido um atentado no Recife em 2016, tentou resistir ao desembarque na Libéria e terminou transferido para a Guiné Equatorial. No local, Pietro e outros imigrantes foram recebidos por agentes armados e encaminhados a um hotel semi-abandonado, anteriormente utilizado para quarentena do vírus ebola, onde seguem com comunicação restrita e sob vigilância policial. O Ministério das Relações Exteriores informou que não recebeu avisos prévios sobre a deportação dos cidadãos por parte do governo norte-americano ou das autoridades locais envolvidas. O embaixador brasileiro na Guiné Equatorial obteve a confirmação de que Pietro se encontra em boas condições de saúde no hotel determinado pelo governo local, mas o itinerário e os prazos para um eventual retorno dos brasileiros ao país de origem permanecem indefinidos, enquanto as famílias cobram esclarecimentos diplomáticos.
Redação Jornal Voz do Litoral
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