O 6º Citronela Doc – Festival de Documentários de Ilhabela encerrou sua edição de 2026 com a premiação de produções que exploraram temas como memória, cultura afro-brasileira e impactos ambientais. Realizado entre os dias 25 e 30 de agosto na cidade, o evento inovou ao premiar pela primeira vez filmes das Mostras Regional e Nacional. O prêmio de Melhor Longa-Metragem foi para “Cartas para”, de Vânia Lima, que acompanha a troca de correspondências entre as escritoras Paulina Chiziane (Moçambique), Elisa Lucinda (Brasil) e Raquel Lima (Portugal). A obra destaca a potência da literatura como ferramenta de resistência e conexão entre culturas. O curta-metragem “A Pele do Ouro”, de Marcela Ulhoa e Yare Perdomo, levou o prêmio de Melhor Curta-Metragem ao retratar a exploração sofrida por mulheres no garimpo da Amazônia brasileira. A produção é narrada por Patri, uma imigrante venezuelana, e expõe as violações de direitos humanos em territórios de mineração ilegal. Já a Menção Honrosa foi para “Lendo o Mundo”, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira, que documenta um projeto de alfabetização de Paulo Freire em Angicos (RN) na década de 1960, resgatando a história da educação popular no Brasil. Na Mostra Regional, “A Força da Raiz”, de Maria Sol Aranda, foi eleito Melhor Filme ao abordar o uso de plantas medicinais e o saber ancestral das mulheres. “Janelas da Memória”, de Yasmin Bilard, conquistou o prêmio de Melhor Filme de Diretor(a) Estreante ao registrar a reconstrução de São Luiz do Paraitinga após a enchente de 2010. O Prêmio Utopia Docs, oferecido pela distribuidora internacional Utopia Docs, foi para “O Pai e o Pajé”, de Iawarete Kaiabi, Felipe Tomazelli e Luís Villaça, que investiga a perda de tradições indígenas diante da conversão religiosa. A edição também reconheceu “Cordões e Sinos de Além-Mar”, de Yuji Kodato e Jeremias Brasileiro, sobre as Congadas mineiras, com o Prêmio de Incentivo todesplay. Selecionados entre mais de 550 inscrições, os 25 filmes exibidos representaram 13 estados brasileiros e cinco cidades do Litoral Norte e do Vale do Paraíba. A programação competitiva destacou documentários que abordaram violência de Estado, crise climática e tradições populares, refletindo a diversidade de olhares sobre os territórios. O festival ainda promoveu uma masterclass com o cineasta João Moreira Salles e estreou a Mostra Internacional e a Mostra Infantil, ampliando o acesso a produções audiovisuais para públicos diversos.
Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação


